EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Grande Hotel Budapeste



Cores de Wes Anderson

   Wes Anderson é um dos raros cineastas em atividade dotado de uma estética própria imediata e facilmente reconhecível. Em O Grande Hotel Budapeste (Espanha, 2012) as características visuais que marcam sua filmografia estão mais presentes que nunca face, por exemplo, o milimétrico cuidado na composição de planos simétricos, a criteriosa seleção de cores numa paleta ora concentrada em tons quentes ora em tons frios, bem como a ampla utilização de maquetes, elementos que reunidos denotam a preocupação do artista quanto a decupagem de cada cena, isto é, quanto a composição fotográfica e cenográfica de cada sequência.

 Além de um deleite para os olhos seja pelos detalhes supracitados, seja pela reunião de um elenco tão majestoso e competente, o longa-metragem, apesar de determinadas ressalvas, se mostra também delicioso quanto a história de amizade contada. Neste sentido, o resultado visto na tela deriva, ao que parece, de um estado de espírito feliz de Wes Anderson, o que, inevitavelmente, afasta o filme da complexidade e excelência de sua grande obra Os Excêntricos Tenenbaums (2001), uma pérola da fusão entre melancolia e humor. Em O Grande Hotel Budapeste o drama até por vezes dá as caras, porém, é sem dúvida a comédia que marca a toada preponderante de uma narrativa cuja leveza e inocência são latentes ao ponto de Anderson se permitir utilizar no ato final o recurso da correria contra o tempo muito comum em títulos infanto-juvenis e já por ele próprio manejado em O Fantástico Sr. Raposo (2009) e Moonrise Kingdom (2012). Eis o tipo de saída que no futuro pode se tornar uma armadilha caso repetida a exaustão, isso porque, conforme lembra William Silveira: “o inimigo do bom é o melhor” daí que “apostar no mesmo [...] prende e limita”¹.
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1.     FONTE: http://www.papodecinema.com.br/filmes/o-grande-hotel-budapeste. Acesso em 06.10.14.

Ficha Técnica

Título Original: The Grand Budapest Hotel
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Hugo Guinness, Wes Anderson
Elenco: Adrien Brody, Bill Murray, Bob Balaban, Carl Sprague, Edward Norton, F. Murray Abrahams, Florian Lukas, Gabriel Rush, Harvey Keitel, Heike Hanold-Lynch, Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Jude Law, Karl Markovics, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Matthias Matschke, Milton Welsh, Owen Wilson, Paul Schlase, Rainer Reiners, Ralph Fiennes, Saoirse Ronan, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Tony Revolori, Willem Dafoe
Produção: Jeremy Dawson, Scott Rudin, Steven M. Rales, Wes Anderson
Direção de Arte: Adam Stockhausen
Fotografia: Robert Yeoman
Estreia no Brasil: 03.07.14                         Estreia Mundial: 06.02.14
Duração: 99 min.

2 comentários:

  1. Wes Anderson ja virou um mestre da criatividade. Pena que foi lançado muito cedo. Espero que não caia no esquecimento.

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  2. A meticulosidade de Wes Anderson e o elenco magistral torna o filme em um clássico! A atuação do Ralph Finnes é digna de disputa de Oscar para melhor ator e Anthony Quinonez para coadjuvante. Recomendadíssimo, um filme pra toda vida!

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