EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 19 de julho de 2017

D.P.A – O Filme



Migração Pífia

D.P.A – O Filme (Brasil, 2017) apresenta exatamente os mesmos problemas de sua versão televisiva: direção de elenco frouxa, roteiro simplório e de soluções fáceis - quando não forçadas - humor que não convence, personagens rasos como um pires e narrativa carente de um ritmo capaz de envolver qualquer espectador acima dos 11 anos de idade.

Nesta toada, a repetição de tais erros ocorre agora em uma escala maior na medida em que o orçamento da produção cinematográfica é visivelmente superior ao do seriado, o que permite a inserção de muitos efeitos visuais e, algo inexistente no seriado, tomadas externas que incluem até, pasmem, a utilização de um submarino no litoral carioca. Tais novidades, contudo, de pouco valor se mostram graças a um script exagerada e desnecessariamente influenciado por Harry Potter e que, de quebra, relega a um plano insignificante determinados personagens originais da TV em prol da aparição de outras figuras, deveras esquecíveis, vividas por estrelas globais cuja presença, pelo visto, tem por intuito tornar o produto atraente para quem nunca assistiu um episódio da série.
Dentro deste contexto, até mesmo a principal, ainda que pouco original, sacada do roteiro se revela subaproveitada, qual seja a junção em cena das duas gerações de detetives do prédio azul¹, haja vista que a motivação para o encontro é tão pífia como a inclusão do tal submarino na trama. Saudade de Lucas Silva e Silva e seu Mundo da Lua².
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1.     O artifício do encontro de gerações distintas já fora visto, por exemplo, nas franquias X-Men e Star Trek.
2.     Seriado brasileiro de 52 episódios produzido e exibido pela TV Cultura. Exibido originalmente entre 06.10.1991 e 27.09.1992.

Ficha Técnica 

Direção: André Pellenz
Roteiro: Flávia Lins, L.G. Bayão
Elenco: Suely Franco, Otávio Müller, Mariana Ximenes, Maria Clara Gueirros, Anderson Lima, Pedro Henriques Motta, Ailton Graça, Caio Manhente, Carol Futuro, Cauê Campos, George Sauna, Letícia Braga, Letícia Pedro, Luciano Quirino, Miriam Freeland, Ronaldo Reis, Tamara Taxman
Estreia no Brasil: 13.07.2017
Duração: 95 min.

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