EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Minhas Mães e Meu Pai


Uma Família Nada Convencional

Garoto e garota filhos de um casal de lésbicas provocam um turbilhão em sua nada convencional família após encontrarem o homem responsável por doar o sêmen necessário para suas concepções. Graças a este enredo, Minhas Mães e Meu Pai (EUA, 2010) poderia facilmente ser mais uma dentre as várias comédias estereotipadas que abordam o universo homossexual, mas, felizmente, isso é o que em momento algum ocorre, em razão do humor respeitoso e quase sempre refinado com que a obra é preenchida.
Neste sentido, de suma importância são as atuações de Annette Bening e Julianne Moore que, numa ótima sintonia, incorporam, respectivamente, os lados masculino e feminino da relação. Julianne Moore, aliás, dá um verdadeiro show com sua personagem zen mas também titubeante quanto a própria sexualidade, daí serem da atriz as mais impagáveis cenas do longa-metragem. Some-se a isso um Mark Ruffalo garboso e, como sempre, eficiente – repetindo aqui a parceria em tela já experimentada antes com Moore em Ensaio Sobre a Cegueira (Canadá, 2008).
Quanto a narrativa, ainda que o ritmo alto-astral do filme seja interrompido, sem muita suavidade, pela toada séria assumida a partir do momento em que os conflitos dos personagens se intensificam, Minhas Mães e Meu Pai alcança seu desfecho como uma experiência que diverte e logra o êxito de deixar o espectador ansioso por saber a conclusão a ser apresentada para a trama, resultado esse, reconheçamos, lucrativo para todos – principalmente para nós espectadores já tão tarimbados por trabalhos padronizados e repetitivos.

COTAÇÃO۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: The Kids Are All Right
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Kunal Sharma (Jai)Mark Ruffalo (Paul)Julianne Moore (Jules)Josh Hutcherson (Laser)Rebecca Lawrence (Brooke)Mia Wasikowska (Joni)Eric Eisner (Joel) (Stella)Joaquín Garrido (Luis)Zosia Mamet (Sasha)Eddie Hassell (Clay)Annette Bening (Nic)Yaya DaCosta (Tanya)James MacDonald (Clay's Dad)
Estreia no Brasil: 12 de Novembro de 2010
Duração: 104 minutos

Curiosidades:

“O título original do filme é baseado na música do grupo de rock inglês The Who, "The Kids Are Alright";
A diretora e roteirsta Lisa Cholodenko é conhecida por ter pilotado episódios do polêmico seriado The L Word” (FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/minhas-maes-e-meu-pai/noticias-e-curiosidades/).

Um comentário:

  1. Olá! Consegui só agora postar no meu blog a crítica que fiz ao filme Tropa de Elite na qual você me ajudou indiretamente! hahahahaha
    Se quiser, dá uma olhadinha lá!

    Hmmm e fiquei com vontade de ver o "The Kids Are Alright" ein? ;D

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