EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Turista


Formulaico

Ainda que estudiosos da sétima arte preguem que o atual cinemão se funda menos na força das grandes estrelas e mais no potencial de personagens específicos da cultura pop, não há como negar que o star system idealizado por Louis B. Mayer permanece como estratégia recorrente quando da composição de determinados projetos cinematográficos.
Dentro deste contexto, no passado Uma Aventura na África (The African Queen, EUA, 1951, John Huston) pavimentou a fórmula do sucesso: dois estranhos (interpretados, logicamente, por um par de celebridades) se conhecem, são obrigados a conviver em meio a situações de risco e de ação para, ao longo do processo, apaixonarem-se.
 Isto posto, ao longo das décadas mais e mais filmes repetiram a receita por vezes obtendo êxito perante o público, por vezes naufragando nas bilheterias. Nos anos 90, por exemplo, os, até então, super astros Sylvester Stallone e Sharon Stone foram escalados para uma aventura teoricamente sensual chamada O Especialista (The Specialist, EUA, 1994, Luis Llosa) que, em razão de sua total superficialidade e da canastrice de seus protagonistas, se tornou um abacaxi esquecido no tempo. Já nos anos 2000 Brad Pitt e Angelina Jolie foram reunidos em Mr. & Mrs. Smith (EUA, 2005, Doug Liman) produção essa que, não obstante a agilidade e a considerável dose de cinismo que a caracterizavam, acabou marcada como o provável marco propulsor do relacionamento amoroso dos atores.
Eis que a nova década ganha seu exemplar do gênero através de O Turista (EUA, 2010), blockbuster cujo elenco traz figuras do quilate de Johnny Depp e, novamente, Angelina Jolie. Dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, que no currículo possui o elogiado A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006), O Turista aparenta ser um produto cool dada a trinca diretor-ator-atriz envolvida, mas, como não raro acontece, as aparências enganam, afinal, o longa-metragem não tarda a se revelar como um amontoado de clichês que fracassa até mesmo nas sequências de ação que deveriam servir-lhe de tábua de salvação.
Neste sentido, o cineasta Donnersmarck, cuja contratação para essa empreitada fora escolha de Jolie, demonstra insegurança perante a máquina de fazer filmes hollywoodiana, o que explica a falta de gingado e de clímax da obra. Por sua vez, Jolie repete os bicos e olhares moribundos costumeiramente utilizados em seus filmes pipoca, ao passo que Johnny Depp mais uma vez plageia a si próprio ao dar a seu personagem um ar atrapalhado e displicente que hoje já não tem tanta graça, razão pela qual em momento algum o espectador visualiza os personagens da trama, mas sim seus intérpretes, o que leva a perceber que, acomodados no prestígio de seus nomes, os atores repetem maneirismos perdendo, assim, a oportunidade de serem os elementos diferenciadores de um longa-metragem que de inédito nada possui¹.
__________________________________
1.   “O cinema francês, por exemplo, teve uma primeira versão de “O Turista”, de título “Anthony Zimmer, a Caçada” de Jerôme Salle (2005). No protagonismo está Yves Attal (François Taillandier), o tímido viajante que a bela Chiara (Sophie Marceau) encontra, ciente de que se trata do esperto ladrão de ladrões, perseguido pela máfia russa e pela policia inglesa” FONTE: http://www.blogdaluzia.com/2011/01/o-turista.html.

COTAÇÃO - ۞۞

Ficha Técnica

Título Original: The Tourist
Estreia no Brasil: 21 de Janeiro de 2011
Estreia Mundial: 10 de Dezembro de 2010
Duração: 103 minutos

2 comentários:

  1. "Por sua vez, Jolie repete os bicos e olhares moribundos costumeiramente utilizados em seus filmes pipoca, ao passo que Johnny Depp mais uma vez plageia a si próprio ao dar a seu personagem um ar atrapalhado e displicente que hoje já não tem tanta graça..."

    Concordo totalmeeente... arrasooou!
    Disse tudo Dario, disse tudo! ;)

    ResponderExcluir