EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 17 de junho de 2012

Prometheus

                 Auto-homenagem

               Em se tratando de indústria cinematográfica, Prometheus (EUA, 2012) constitui uma das jogadas mais oportunistas e inteligentes já vistas; afinal, o filme é mas não é um remake na medida em que também funciona como um prequel que, de forma ousada, não se contenta enquanto mera ferramenta de introdução a uma história já antes contada.
               Trocando em miúdos, ao invés do simples e objetivo jogo de gato e rato mostrado em Alien – O Oitavo Passageiro (EUA, 1979), a mais recente realização de Ridley Scoot lança mão de um argumento mais ambicioso que discorre sobre o nascimento da vida humana¹ e, de quebra, torna possível o surgimento uma franquia paralela a quadrilogia Alien.
               Ocorre que, mesmo buscando saltos maiores, consideráveis aspectos do conteúdo de Prometheus fazem com que a ficção científica se comporte por vezes como uma típica refilmagem. Desse modo, no que tange, por exemplo, os personagens dos títulos de 2012 e 1979 percebe-se, respectivamente, que a pesquisadora Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), é sim uma versão, também em trajes sumários, da valentona Ripley (Sigourney Weaver), ao passo que o ambíguo e nada confiável robô David (Michael Fassbender) serve de repaginação ao low tech cientista Ash (Ian Holm).
              Não fosse o bastante:
- a tolice de determinados astronautas ao lidar desprevenidamente com seres asquerosos e nunca antes vistos permanece tal qual a do longa-metragem de outrora;
- os relatórios finais das heroínas sobreviventes servem ‘coincidentemente’ de encerramentos para ambas as produções.
              Tantas semelhanças podem até levar a crer que Prometheus padece de um roteiro preguiçoso; todavia, em não sendo este o caso – afinal, como já dito, várias outras janelas são abertas – é preferível pensar que Scott optou por prestar uma espécie de auto-homenagem aquele que fora seu segundo trabalho como diretor. Se não supera o original – até porque, em correndo mais riscos, tropeços acabam sendo cometidos – seu novo filme pelo menos demonstra um inegável vigor², sendo ao lado da continuação comandada por James Cameron o que de melhor já se fez desde então em torno do monstrengo.
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1.Não à toa, o visual claustrofóbico das produções anteriores é abandonado em prol de uma concepção estética de planos épicos, grandiosos.
2.Comprovado, por exemplo, através da tensa sequência do aborto.





Ficha Técnica
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Damon Lindelof, Jon Spaihts
Produção: David Giler, Ridley Scott, Tony Scott, Walter Hill
Elenco: Noomi Rapace (Elizabeth Shaw)Michael Fassbender (David)Charlize Theron (Meredith Vickers)Idris Elba (Janek)Guy Pearce (Peter Weyland)Patrick Wilson (Shaw's Father)Kate Dickie (Ford)Benedict Wong (Ravel)Emun Elliott (Chance)Rafe Spall (Millburn)Sean Harris (Fifield)Logan Marshall-Green (Charlie Holloway)Lucy Hutchinson (Young Shaw)
Estreia no Brasil: 15.06.2012          Estreia Mundial: 08.06.2012
Duração: 123 min.

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