EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 30 de julho de 2013

As Palavras



Quando a TV Supera o Cinema

As Palavras (EUA, 2012) apesar de ter sua narrativa dividida em três diferentes núcleos, espaços e tempos, possui uma ideia central que amarra todas as pontas: o sucesso de um escritor a partir do lançamento de um livro cuja história não fora por ele criada mas sim indevidamente apropriada de outrem.
Semelhante plot, vale dizer, já fora explorado com desenvoltura e bom humor no seriado Californication, ao contrário daquilo que se vê no longa-metragem da dupla Brian Klugman e Lee Sternthal que com mãos pesadas insistem no tom novelesco principalmente durante as inúmeras e exageradas sequências de flashback em tempos de guerra. Aliás, dentre as três fatias do filme, a única que desperta algum interesse é aquela referente ao encontro entre o farsante e o verdadeiro autor do livro que se tornara um fenômeno, êxito esse obtido graças as delicadas performances do elenco. Neste sentido, Bradley Cooper demonstra uma competência superior ao seu superestimado trabalho em O Lado Bom da Vida (EUA, 2012), revelando, ainda, bastante química com sua parceira de cena Zoe Saldana que, além, de linda, mostra-se deveras doce e apaixonada. Some-se a isso um sempre eficiente Jeremy Irons e tem-se uma fração da história que jamais é alcançada pelas outras duas seja pelo já mencionado abuso da toada novelesca no passado mais remoto da história, seja pela atuação absurdamente canastrona de Dennis Quaid já no período presente da trama.
Por isso tudo mais vale passar dias assistindo Californication do que perder cerca de duas horas com As Palavras. Lá a satisfação é garantida.

Ficha Técnica

Título Original: The Words
Direção e Roteiro: Brian Klugman e Lee Sternthal
Produção: Jim Young, Michael Benaroya, Tatiana Kelly, Bradley Cooper
Elenco: Bradley Cooper, Zoe Saldana, Jeremy Irons, Dennis Quaid, Olivia Wilde,  J. K. Simons, Nora Amezeder, Ben Barnes, John Hannah
Fotografia: Antonio Calvache
Estreia Mundial: 07.09.2012                   Estreia no Brasil: 23.11.2012
Duração: 102 min.

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