EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Homens, Mulheres e Filhos



A Família Como Vai?

Homens, Mulheres e Filhos (EUA, 2014) tem muito a dizer. Ambicioso, o filme se dedica a analisar temas como a idiotização dos jovens em tempos de Internet e o detrimento das relações, sobretudo, familiares numa época cuja virtualidade faz os genitores parecerem cada vez mais ultrapassados perante a prole, restando, assim despidos de qualquer meio de controle sobre o que os filhos veem, fazem e com quem interagem.
Numa realidade cujo perigo não está somente nas ruas, mas principalmente dentro de casa graças ao acesso a web, o roteiro, baseado no livro de Chadk Kultgen, analisa os efeitos exercidos pelos novos meios de comunicação tanto sobre os filhos – e sua cultura da futilidade, do egoísmo e da falta de sentido nas coisas – quanto sobre os pais e a total escuridão na qual transitam ante a complexa e difícil tarefa que é criar um ser humano, principalmente adolescente, nos dias de hoje.
Para tanto, Jason Reitman se vale de um grande número de personagens e dramas paralelos, o que acaba, infelizmente, funcionando como calcanhar de Aquiles da obra na medida em que sua estrutura fílmica se revela insuficiente para tratar satisfatoriamente todas as situações encenadas. Não se trata aqui de desmerecer por completo o trabalho do diretor já que é nítido seu zelo pelos personagens e o cuidado tomado para conectar as subtramas; o problema, neste diapasão, reside apenas no pouco tempo de duração dispensado ao título para tratar de tantos assuntos e pessoas, daí, não a toa, determinados personagens acabarem por vezes esquecidos pelo espectador, assim como atores restarem subaproveitados - vide a minúscula participação de J. K. Simmons.
Homens, Mulheres e Filhos clamava por ter um tratamento extenso como o de um Short Cuts – Cenas da Vida (EUA, 1993) ou até por ser filmado na condição de série televisiva (Angels in America assim o fez). Seja como for, uma conclusão é inegável: muito melhor um trabalho que deixa a sensação de “quero mais” do que uma produção que deixa fatigado e ansioso por seu término quem a assiste.

FICHA TÉCNICA


Título Original: Men, Women and Children

Direção: Jason Reitman

Produção: Jason Reitman, Helen Estabrook

Roteiro: Chad Kultgen, Erin Cressida Wilson, Jason Reitman

Elenco: Jennifer Garner, Adam Sandler, Ansel Elgort, Candace Lantz, Christina Burdette, Cody Boling, Colby Arps, Craig Nigh, Dan Gozhansky, David Denman, David Jahn, Dean Norris, Dennis Haysbert, Elena Kampouris, Emma Thompson, Helen Estabrook, Irene White, J. K. Simmons, Jake McDermott, Jaren Lewison, Jason Douglas, Jeff Witzke, Jillian Nicole Jackson, Jon Michael Davis, Judy Greer, Kaitlyn Dever, Kaleb King, Karen Smith, Katherine C. Hughes, Kathrine Herzer, Kelly O'Malley, Luci Christian, Olivia Crocicchia, Phil LaMarr, Richard Dillard

Estreia no Brasil: 04/12/14                                                      Duração: 119 min.

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