EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Creed – Nascido Para Lutar



Pobre Menino Rico

Creed – Nascido Para Lutar (EUA, 2015) se alia a Mad Max – Estrada da Fúria (EUA/Austrália, 2015) e a Star Wars – O Despertar da Força (EUA, 2015) moldando uma tendência de revitalização de franquias a partir não de histórias originais e sim com base na reutilização das tramas dos filmes origem. Os termos remake e reboot, neste contexto, não se aplicam plenamente seja porque alguns novos elementos e personagens são incorporados aqueles já conhecidos enredos, seja porque atores das sagas originais são reaproveitados em seus antigos papeis. Em tais casos ocorre até uma espécie de fusão da trama do primeiro episódio da saga com outros posteriores – no caso de O Despertar da Força, por exemplo, há a influência dos enredos de Uma Nova Esperança e O Retorno de Jedi – resultando, assim, em produtos nostálgicos mas que também olham para o futuro, daí agradarem aos fãs de ontem e conquistarem novos adeptos para hoje e amanhã.

Em Creed a história de Rocky Balboa é praticamente refilmada graças a utilização de outro personagem que repete seus passos. Dessa maneira, o mesmo caminho é recriado com um diferencial que representa simultaneamente os pontos de originalidade e de fraqueza do filme, qual seja a falta de uma motivação do protagonista a altura daquela que movia o garanhão italiano. Explique-se: apesar de ter passado os primeiros anos da infância em orfanatos, Adonis Creed fora em seguida adotado pela viúva de seu pai Apollo, daí passar a viver desde então em situação de luxo e conforto. Logo, a trajetória do personagem em torno do boxe visa não a utilização do esporte como meio de sobrevivência em meio a penúria financeira – tal como ocorrera com Rocky antes do estrelato – sendo sua busca, ao contrário, uma mera tentativa de satisfação de um ego que almeja ver o nome não sob a sombra, mas sim ao lado do trono do pai.

Não deixa de ser ousado utilizar uma figura com uma situação econômica confortável numa fórmula que normalmente se vale da pobreza e dos consequentes problemas familiares dos personagens principais, porém, tal coragem acaba não resultando eficiente dada a falta de conflitos ao redor de Creed relevantes o bastante para causar o envolvimento e a comoção da plateia. Tal tarefa, vale dizer, permanece sendo cumprida por Sylvester Stallone que num inteligente exercício de humildade assume uma função coadjuvante e com muita sutileza encena o ocaso do personagem que sedimentou sua carreira. Delicadamente tratado, o fim de vida de Rocky vai sendo costurado e devido a importância desse evento e da boa atuação de Sly o filme pertence mais ao coadjuvante Rocky que ao protagonista Creed.
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1.     Leia mais sobre Mad Max – Estrada da Fúria em http://www.setimacritica.blogspot.com.br/2015/10/mad-max-estrada-da-furia.html.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Creed
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Aaron Covington, Ryan Coogler, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Andre Ward, Brian Anthony Wilson, Buddy Osborn, Gabe Rosado, Graham McTavish, Hans Marrero, Jacob 'Stitch' Duran, Joey Eye, Malik Bazille, Maria Breyman, Mark Falvo, Mark Rhino Smith, Michael B. Jordan, Phylicia Rashad, Ricardo McGill, Ritchie Coster, Rupal Pujara, Stephanie Damiano, Tessa Thompson, Tony Bellew, Tony Devon, Will Blagrove, Wood Harris
Produção: David Winkler, Irwin Winkler, Kevin King Templeton, Robert Chartoff, Sylvester Stallone, William Chartoff
Fotografia: Maryse Alberti
Montagem: Claudia Castello, Michael P. Shawver
Trilha Sonora: Ludwig Goransson
Estreia: 14/01/2016 (Brasil)
Duração: 133 min.

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