EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 19 de maio de 2017

Elon Não Acredita na Morte


Aquém das Referências

Visivelmente inspirado por Filho de Saul (Hungria, 2015), o nacional Elon Não Acredita na Morte (Brasil, 2016), tal qual o oscarizado filme, narra a trajetória de busca obstinada de um homem por um ente querido, utilizando para tanto uma câmera posicionada quase sempre às costas do personagem, na altura de sua nuca. Contudo, as semelhanças param por aí, na medida em que se o somatório dessa narrativa com tal fotografia já ameaça tornar cansativo aos olhos do público o celebrado trabalho húngaro - risco esse amenizado pelas chocantes sequências de horror de guerra inseridas no decorrer da jornada que agregam relevância a trama e, consequentemente, ao longa-metragem -, a produção brasileira, por seu turno, não galga resultado parecido, tendo em vista o enorme vazio que marca o desenrolar da caminhada do personagem principal à procura de sua mulher, o que torna o desenvolvimento do enredo arrastado e a experiência de assisti-lo um suplício. Tal falta do que dizer e mostrar deixam a impressão de que o roteiro seria melhor aproveitado caso ajustado ao formato de um curta-metragem, não sendo, desta feita, as referências fílmicas do projeto¹ suficientes para salvá-lo.
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1.     Neste sentido, cabe ainda citar os ecos de Gaspar Noé e seu Irreversível (França, 2002) percebidos, sobretudo, na sequência em que o protagonista adentra num prostíbulo, dados os enquadramentos sufocantes com predomínio de paleta de cores rubro-negra

FICHA TÉCNICA


Direção: Ricardo Alves Jr.

Produção: Ricardo Alves Jr., Thiago Macêdo Correia

Roteiro: Ricardo Alves Jr., Germano Melo, Diego Hoefel, João Salaviza

Elenco: Rômulo Braga, Clara Choveaux, Lourenço Mutarelli, Grace Passô, Germano Melo

Fotografia: Matheus Rocha

Estreia Brasil: 27/04/2017

Duração: 76 min.

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