EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 2 de julho de 2011

Cão Branco

Manifesto Anti-Racista

Conforme explica Ronald Bergan: “Há duas vertentes de Racialismo no cinema: uma promove a diversidade racial; outra tem cunho racista, ainda que inconsciente”. Cão Branco (EUA, 1982) insere-se, portanto, na primeira hipótese graças a história de uma jovem atriz de cinema (Kristy McNichol) que se vê em apuros ao descobrir que o pastor alemão que adotara é, na verdade, um cão de ataque treinado para perseguir e matar negros.
Baseado no romance de Ronald F. Maxwell, o longa-metragem de Samuel Fuller dispensa firulas, mantendo-se, desta feita, focado na transmissão de sua mensagem. Neste sentido, o racismo não só é repudiado como também as raízes de seu surgimento são investigadas para, assim, viabilizar dentro e fora da tela uma estratégia de combate contra a intolerância.
Considerando que o cotidiano nos mostra que, uma vez instalados, certos preconceitos dificilmente são vencidos, a revelação de que a produção possui um final pessimista, embora realista, não estraga nenhuma surpresa, daí a necessidade de manifestos pacifistas como esse serem regularmente renovados para que as novas e vindouras gerações não sejam atingidas de modo ativo ou passivo por tal mal.
Por isso, em meio a tantos remakes descartáveis, não seria má idéia se Cão Branco fosse refilmado, isso porque, apesar de permanecer infelizmente atual quanto a sua temática, é inegável que o suspense de Fuller envelheceu no que tange sua técnica oitentista de filme B², aspecto esse que poderia ser revisado mediante a ajuda dos poderosos efeitos especiais de hoje que, por certo, confeririam uma truculência maior aos ferozes ataques do animal – afinal, esse é o tipo de produção que clama por violência explícita para tornar ainda mais latente e urgente a mensagem pretendida. Imagine como seria uma versão coreana da obra...
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1.     . ... Ismos – Para entender o Cinema. São Paulo: Globo, 2010. p. 70.
2.     Exceto, é claro, pelos belos movimentos de câmera.

COTAÇÃO – ۞۞۞

 

Ficha Técnica

Título Original: White Dog
Direção: Samuel Fuller
Roteiro: Samuel Fuller, Curtis Hanson
Elenco: Kristy McNichol (Julie Sawyer)Karl Lewis Miller (Attacker)Karrie Emerson (Sun Bather)Terrence Beasor (Pound Driver)Tony Brubaker (Sweeper Driver)Samuel Fuller (Charlie Felton)Richard Monahan (Assistant director)Jameson Parker (Roland Gray)Vernon Weddle (Vet), Burl Ives (Mr. Carruthers), Paul Winfield (Keys)
Música: Ennio Morricone
Duração: 90 minutos
Curiosidade: no romance em que se baseia o roteiro do filme, o treinador negro que tenta “curar” o cão faz o seu trabalho condicionando-o propositalmente a atacar pessoas brancas. Já na visão do cineasta [Samuel Fuller], o comportamento e o discurso do treinador (Sr. Keys) possuem a força e a beleza da convicção de quem sabe que luta contra uma ideia”. FONTE: http://sombras-eletricas.blogspot.com/2010/04/cao-branco.html.

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