EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reencontrando a Felicidade

O que Não Tem Cura

O tema da perda de um filho não é novidade no universo cinematográfico, vide os casos, por exemplo, de Anticristo (Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Polônia, Suécia, 2009) e O Quarto do Filho (Itália, 2001). Tal como os exemplos citados, Reencontrando a Felicidade (EUA, 2009) busca um diferencial para sua abordagem, daí a toada sóbria, trabalhada meticulosamente para não resvalar no melodrama.
 A opção, além de válida, é exitosa graças a direção segura de John Cameron Mitchell e ao afinco de um elenco eficiente em seu todo, aspecto esse no qual ganha destaque a corajosa interpretação de Nicole Kidman que em momento algum lança mão de seu carisma para agregar simpatia a personagem defendida - dentro deste contexto, a mulher derrotada pela dor é mostrada com realismo, sendo, assim, ora agressiva ora arredia.
Uma vez que não há solução para tal trauma, a cena do diálogo, no porão, entre Kidman e Dianne Wiest, bem como o desfecho dado a obra são sequências deveras comoventes em razão da forma delicada com que demonstram que a iniciativa de levar adiante uma vida e um casamento deteriorados – ao contrário do que sugere o título nacional – não possui qualquer conotação redentora nem salvadora.

COTAÇÃO - ۞۞۞۞

FICHA TÉCNICA
Título Original: Rabbit Hole
Elenco: Jay Wilkison (Gary)Deidre Goodwin (Reema)Mike Doyle (Craig)Nicole Kidman (Becca Corbett)Wally Dunn (Ticket Seller)Miles Teller (Jason)Sandi Carroll (Abby)Julie Lauren (Debbie)Patricia Kalember (Peg)Tammy Blanchard (Izzy) Ali Marsh (Donna) Aaron Eckhart (Howie Corbett)Jon Tenney (Rick)Giancarlo Esposito (Auggie) Sandra Oh (Gaby)Dianne Wiest (Nat)
Estreia no Brasil: 6 de Maio de 2011
Estreia Mundial: 17 de Dezembro de 2010
Duração: 96 minutos

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