EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 17 de julho de 2011

O Discurso do Rei

Todo Carnaval Tem Seu Fim

Houve um tempo, na década de 90, em que o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro ficara marcado por reiteradas vitórias da Imperatriz Leopoldinense¹. O motivo do sucesso: exibições milimetricamente forjadas para se sagrarem campeãs. Uma vez que falhas não eram cogitadas, tais apresentações acabavam por abandonar qualquer naturalidade e espontaneidade, transformando-se, assim, em trabalhos assépticos, embora tecnicamente precisos.
Inserido neste contexto, O Discurso do Rei (Reino Unido, 2010) se assemelha a um desses desfiles da Imperatriz, dada a exímia forma com a qual fora talhado para conquistar prêmios. Desta feita, direção de arte, figurinos, fotografia e elenco são elementos minuciosamente trabalhados em consonância com um formato padrão saudado, sobretudo, pela famosa Academia.
Por isso, não há que se esperar arroubos de ousadia de uma história que envolve a superação de um homem perante si próprio, bem como perante uma nação, razão pela qual mesmo funcionando exatamente conforme o prometido - daí os não raro momentos de empatia travados com o público - as sensações de reciclagem e de manipulação depõem contra o todo a cada minuto, tornando este o tipo de filme que se reconhece a qualidade com certo mal humor.
Ante o exposto, é de se estranhar que em meio a tantos elogios e estatuetas entregues a produção, a justiça - ao contrário de como ocorrera com Colin Firth - não tenha sido feita em sua plenitude para com Geoffrey Rush que por diversas vezes rouba a cena compondo um tipo de personagem que, face os meandros e peculiaridades,  correria o risco de funcionar nas mãos de outra pessoa como mera escada ao personagem principal. Algum jurado, pelo visto, preferiu não dar a nota máxima para O Discurso do Rei no quesito mestre-sala e porta-bandeira. Nada é totalmente perfeito.
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1.     A Imperatriz Leopoldinense acumula em seu rol de títulos um bi-campeonato (1994 – 1995) e um tri-campeonato (1999 – 2000 – 2001).

COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: The King's Speech
Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Elenco: Timothy Spall (Winston Churchill)Freya Wilson (Lilibet)Calum Gittins (Laurie Logue)James Currie (Binky) Geoffrey Rush (Lionel Logue)Helena Bonham Carter (Rainha Elizabeth ) Michael Gambon (Rei George V)Jennifer Ehle (Myrtle Logue)Colin Firth (Rei George VI)Anthony Andrews (Stanley Baldwin)Derek Jacobi (Dr. Cosmo Lang)Guy Pearce (Edward VIII)Claire Bloom (Rainha Mary)Eve Best (Wallis Simpson)
Estreia no Brasil: 11 de Fevereiro de 2011
Estreia Mundial: 21 de Outubro de 2010
Duração: 118 minutos

Um comentário:

  1. Com certeza, não merecia o Oscar. Mas é, de fato, um grande filme, bonito, sensível, charmoso e muito divertido. Colin Firth arrasa!

    http://cinelupinha.blogspot.com/

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