EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Além do Arco-Íris



Naturalidade Enquanto Mérito e Problema

Além do Arco-Íris (França, 2012) se comporta como aquilo que se convencionou chamar de filme coral, conceito que, segundo Ricardo Calil, envolve “uma narrativa que, em vez de se concentrar em uma ou duas vozes, ramifica-se por um conjunto de personagens”¹.
Neste sentido, a interação entre histórias aparentemente distantes umas das outras e entre seus respectivos personagens ocorre com naturalidade sem soar forçada como não raro acontece nesse tipo de realização. É uma pena, porém, que, não obstante toda sua simpatia, o filme não logre êxito naquilo que é sua principal meta: ser uma versão moderna de tradicionais contos infantis como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho. Aí sim surge um elemento cujo encaixe se mostra pouco natural e até desnecessário, visto que o roteiro possui força e comicidade suficientes para garantir a atenção do público sem apelar para o recurso da comparação com as histórias supracitadas.
Essa fração descartável por vezes até incomoda mas não chega a comprometer o todo graças, como já dito, a um scenario que se desenvolve com facilidade e a um elenco que só não é inteiramente brilhante em razão da falta de sal do casal de protagonistas, mas que, em contrapartida, conta com participações inspiradas de outros atores mais experientes, no que se inclui o ótimo Jean-Pierre Bacri, responsável também pelo roteiro ao lado da diretora e atriz Agnès Jaoui .
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1.     FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u65727.shtml. Acesso em 13.09.13.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Au Bout Du Conte
Direção: Agnès Jaoui
Roteiro: Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri
Elenco: Jean-Pierre Bacri, Arthur Dupont, Agnès Jaoui, Benjamin Biolay, Agathe Bonitzer , Nina Meurisse, Valérie Crouzet  
Fotografia: Lubomir Bakchev        
Música: Fernando Fiszbein
Estreia no Brasil: 07.06.13            
Duração: 112 min.

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