EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Elysium




Como Será o Amanhã?

Distrito 9 e Elysium, ambos filmes dirigidos e escritos por Neill Blomkamp, apresentam uma curiosa fusão da tradicional ficção científica com a estética da favela mostrada pelo cinema brasileiro das últimas duas décadas. Neste passo, o cineasta demonstra preocupação não apenas com a forma mas também com o conteúdo ao aplicar doses generosas de discussões sociais, políticas e econômicas em seus enredos, o que, consequentemente, garante a tais projetos uma posição diferenciada no universo de mesmice que caracteriza o cinemão hollywoodiano.
Lamentavelmente, porém, o novo trabalho de Blomkamp apresenta um outro lado da moeda marcado pelo apelo a certos clichês do gênero, o que se explica em razão da necessidade de retorno financeiro que uma produção vultosa como essa requer. Semelhante problemática, aliás, fora também vista há poucos meses em Oblivion¹, uma obra, tal qual Elysium, de inconteste esmero visual que, porém, frustra expectativas para além disso ao desperdiçar seu potencial filosófico, hesitando, assim, em se assumir enquanto trabalho primordialmente autoral, artístico.
Ressalte-se que os estúdios impõem que seus títulos recorram a uma saraivada de tiros e explosões, romances impossíveis e heróis que não titubeiam em dar a vida pelo resto da humanidade porque os números das bilheterias e as pesquisas feitas nesse sentido atestam que o sucesso de hoje requer a repetição de tais expedientes, daí que atualmente a busca daqueles que querem dizer algo em Hollywood não se traduz mais na rejeição das fórmulas de outrora e sim na mescla destas com algumas pitadas de conotações pessoais e reflexivas, o que, convenhamos, não deixa de ser pouco em se tratando de uma arte tão aberta a possibilidades, constatação essa que, em última instância, acarreta a seguinte divagação: será que um dia veremos um novo 2001? Responda quem puder.
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1.     Leia mais sobre Oblivion em http://setimacritica.blogspot.com.br/2013/04/oblivion.html.

Ficha Técnica


Direção e Roteiro: Neill Blomkamp

Produção: Simon Kinberg, Sue Baden-Powell, Bill Block

Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Alice Braga, Wagner Moura, Diego Luna, William Fichtner

Estreia no Brasil: 20.09.2013                  Estreia Mundial: 07.08.2013

Duração: 109 min.

2 comentários:

  1. Um dos piores filmes de 2013. Uma desastrosa ficção científica, onde Neill Blomkamp só mostrou ser o cineasta que ele sempre aparentou ser. Nem Wagner Moura me agradou.

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