EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Electro



Hora do Circo

A história da morte de Gwen Stacy é por certo uma das mais icônicas do universo dos quadrinhos e sem dúvida a mais dramática já vista nas páginas do aracnídeo. Sam Raimi flertara com tal enredo quando da desnecessária fusão da personagem com Mary Jane Watson, a namorada que Peter Parker teve em seguida. Neste sentido, se fora ousado ao implementar tal mudança, o cineasta não teve a mesma coragem para manter o destino trágico daquela. Eis que Marc Webb, em O Espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Electro (EUA, 2014), leva às telas a história da forma como fora escrita, mas desperdiça a emoção dela inerente em um longa-metragem tolo que perde enorme quantidade de tempo com clichês e repetições que denotam o quão desnecessário e precipitado, sob o viés artístico, é esse ‘reboot’ da franquia. Isto posto, o que se vê é um total desleixo do roteiro no que tange o desenho dos personagens e o encadeamento lógico, emocional e dramático dos eventos, daí a explicação para os vários furos da trama e para a incongruência comportamental de figuras que mudam de opiniões e condutas num piscar de olhos.
Lançada apenas algumas semanas após a estreia do excelente Capitão América 2 – O Soldado Invernal (EUA, 2014), a continuação em análise padece ante a comparação com tal título, na medida em que as obras representam os dois lados de uma moeda, ou seja, aquilo que de pertinente e de descartável uma mesma indústria é capaz de produzir. Responsáveis pela direção da sequência supracitada os irmãos Anthony e Joe Russo entregaram uma obra densa que esbanjara vigor e qualidade tanto em sua estética quanto em seu conteúdo, deixando, assim, mal acostumado um público que pouco tempo depois fora cruelmente arremessado de volta a mediocridade do cinema de entretenimento através do chinfrim e espalhafatoso, porque multicolorido, show circense que é este Homem Aranha.
Enquanto O Espetacular Homem Aranha (EUA, 2012) tinha por mérito a forma parcimoniosa com que se comprometia a ser fiel ao universo imaginado por Stan Lee – o que  o tornava superior a produção de origem comandada por Sam Raimi –, seu segundo volume acumula equívocos dentre os quais chama a atenção o desperdício do talento de atores como Jamie Foxx e Paul Giamatti em aparições tolas e infantis que acusam por parte da produção certo desprezo a toada adulta e madura que os filmes de super-heróis tem apresentado a partir do X-Men de Bryan Singer e do Batman de Christopher Nolan. Tal iniciativa de infantilizar a saga do cabeça de teia em busca de números ainda maiores nas bilheterias desperta a memória para estratégias semelhantes de outrora que resultaram, por exemplo, em horrores como Lanterna Verde (EUA, 2011)e, claro, os dois filmes do Quarteto Fantástico. O circo está de volta...
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1. Leia mais sobre O Espetacular Homem Aranha em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/07/o-espetacular-homem-aranhahomem-aranha.html.

Ficha Técnica

Título Original: The Amazing Spider-Man 2
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner
Produção: Avi Arad, Matt Tolmach
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Chris Cooper, Campbell Scott, Paul Giamatti, Dane DeHaan, Sally Field
Música: Hans Zimmer
Estreia no Brasil: 01.05.14               
Duração: 142 min.

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