EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 4 de junho de 2014

Grandes Garotos



Por um Triz
Neste novo século a França se qualificou como exímio pólo produtor de comédias, no que se incluem também as românticas, deixando para trás Hollywood e suas obras rasteiras. Para tanto, não se buscou reinventar a roda, mas tão somente aproveitar ideias já consagradas pelo cinema americano e adaptá-las ao olhar europeu, operação quase sempre feita com visível cuidado no que tange a coerência dos roteiros e a inteligência dos espectadores.
Considerada a ressalva já feita quanto a prática de um cinema que preza não pelo ineditismo e sim pela variação/adaptação, percebe-se que com o passar dos anos e ante a proliferação de títulos produzidos, as comédias francesas não mais tem precisado olhar para as realizações hollywoodianas, inspirando-se, na verdade, no que recentemente fora feito no próprio país no que se refere aquele gênero.
Dentro deste contexto, vejamos o exemplo de Grandes Garotos (França, 2013): trata-se este do típico filme de camaradagem, permeado por uma breve trama paralela de romance heterossexual e, o principal, a fissura de um dos personagens por um ícone da música. Feito tal escalonamento dos elementos do enredo, constata-se o seguinte rol, não exaustivo, de semelhanças para com outros filmes:
- a amizade entre figuras incomuns (aspecto esse que costuma variar noutros títulos quanto a idade, classe social, compleição física e etc.) que motiva umas das partes a retomar o gosto pela vida lembra o que fora relatado em Intocáveis¹ (França, 2011);
- se em Grandes Garotos um dos protagonistas é fã ardoroso de Iggy Pop (tal carta na manga oscila em produções parecidas entre celebridades do cinema, dos esportes...), Paris-Manhattan² (França, 2012), por seu turno, acompanha uma admiradora de Woody Allen que de tão fervorosa chega a tecer diálogos imaginários com o mesmo.
Destacadas tais similitudes surge a pergunta: em meio a abundante presença de situações e soluções de outrora Grandes Garotos funciona enquanto entretenimento? A resposta, por um triz, é positiva graças ao carisma do elenco responsável por fazer com que as piadas em sua maioria surtam o efeito esperado. Um alerta, contudo, há de ser aceso, pois fora o excesso de repetições de fórmulas que tornara a comédia americana tão irrelevante.
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1.Leia mais sobre Intocáveis em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/08/intocaveis.html.
2.Leia mais sobre Paris-Manhattan em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/09/paris-manhattan.html.

FICHA TÉCNICA

Título original: Les Gamins
Direção: Anthony Marciano
Produção: Alain Goldman
Roteiro: Anthony Marciano, Max Boublil
Elenco: Alain Chabat, Max Boublil, Sandrine Kiberlain, Mélanie Bernier, Iggy Pop
Duração: 95 min.

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