Terremoto: A Falha de San Andreas



A Reprise da Catástrofe

‘É tão difícil conquistá-la com essa chuva de clichês’
(Ma Cherie – Hidrocor)

Terremoto: A Falha de San Andreas (EUA, 2015) despeja sobre o espectador uma quantidade de clichês semelhante a torrente de escombros oriundos dos prédios e demais edificações quedados a partir dos diversos abalos sísmicos mostrados ao longo de sua duração. Assim, tem-se um filme catástrofe preocupado sobretudo com o impacto visual – embora não raro alguns efeitos visuais pareçam mal-acabados – em detrimento do roteiro. Diferentemente do que fora visto, por exemplo, em O Impossível¹ não há no longa-metragem qualquer aprofundamento do perfil psicológico dos personagens, daí volta e meia os mesmos passarem por situações traumáticas e logo em seguida se comportarem como se nada demais tivesse acontecido. Dentro deste contexto, para fazer de conta que possui um enredo digno de nota, a produção divide sua trama em duas frentes, mostrando de um lado o drama de uma família que busca se reencontrar física e afetivamente em meio ao caos e, de outro lado, a trajetória do cientista que detecta o tamanho do estrago que está por vir e mediante seu conhecimento técnico busca intervir para minimizar os danos causados pelo fenômeno da natureza. Tratam-se, portanto, de motes tão reciclados que se trocados fossem os terremotos por dinossauros o produto final seria mais um capítulo da franquia Jurassic Park – sim, em San Andreas também há menores tentando desesperadamente escapar da morte.

No elenco as figuras masculinas pouco fazem para injetar qualquer elemento diferenciador em papeis tão rasos: Dwayne Johnson se mostra um herói insosso aquém dos brucutus da década de 80 como Stallone e Schwarzenegger, ao passo que Ioan Gruffudd pouco se esmera para driblar a caricatura do padrasto tedioso e Paul Giamatti se resigna com uma interpretação no piloto automático de um personagem pouquíssimo interessante ainda mais se considerado for que o mesmo ator um dia vivificara Harvey Pekar em o Anti-Herói Americano (EUA, 2003). Para a fatia masculina da platéia sobra o consolo de admirar as beldades Carla Gugino – que até poderia ser melhor aproveitada – e Alexandra Daddario a qual, por seu turno, é quem mais brilha numa aparição até certo ponto juvenil deveras diferente daquela que a consagrara na primeira temporada de True Detective. Neste sentido, a atriz agarra com unhas e dentes a oportunidade de coprotagonizar um blockbuster distante da saga Percy Jackson e, com muito charme, consegue tornar palatável, pelo menos para sua personagem, os clichês nos quais a mesma também é mergulhada. Ponto para ela.
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1.     Leia mais sobre O Impossível em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/12/o-impossivel.html.

FICHA TÉCNICA

Título Original: San Andreas
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Allan Loeb, Carey Hayes, Carlton Cuse, Chad Hayes
Elenco: Adam Reeser, Afsheen Olyaie, Alan D. Purwin, Alec Utgoff, Alexandra Daddario, Allan Poppleton, Arabella Morton, Archie Panjabi, Ari Atken, Art Parkinson, Brad McMurray, Breanne Hill, Carla Gugino, Christina July Kim, Colton Haynes, Dwayne Johnson, Gabriel Koura, Harris Michaels, Hugo Johnstone-Burt, Ioan Gruffudd, Jackie Dallas, Jaden Alexander, Janell Islas, Jaymes Butler, Kylie Minogue, Leilani Amour Arenzana, Marissa Neitling, Matt Gerald, Morgan Griffin, Paul Giamatti, Phillip E. Walker, Ran Wei, Robin Atkin Downes, Steven Wiig, Teresa Navarro, Tina Gilton, Todd Williams, Tom O'Reilly, Vanessa Ross, Will Yun Lee
Produção: Beau Flynn, Tripp Vinson
Fotografia: Steve Yedlin
Montagem: Bob Ducsay
Trilha Sonora: Andrew Lockington
Estreia: 28/05/2015 (Brasil)
Duração: 114 min.

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