A Corte



O Corte


A Corte (França, 2015) começa como uma sutil comédia até que logo adiante apresenta a estrutura de um filme de tribunal e já próximo de sua segunda metade se transforma numa história de amor não correspondido. Dentro deste contexto, a produção escapa de se tornar uma salada indigesta porque os efeitos da fusão de gêneros são evitados a todo custo na medida em que cada nova toada iniciada traz como conseqüência o abandono quase que completo da anterior, o que, consequentemente, faz com que o longa-metragem se veja diante de uma faca de dois gumes, haja vista que se de um lado consegue manter organizada sua estrutura narrativa, de outro lado paga por isso um preço alto decorrente do estranhamento que o abandono de partes aparentemente relevantes da história causa ao espectador.
Neste passo, de repente a repulsa que a figura do personagem principal desperta em seus pares deixa de ser importante, assim como adiante também ocorre com o próprio julgamento por aquele conduzido. Mesmo soando esquisito nesse aspecto, A Corte ainda assim consegue um resultado final minimamente satisfatório graças, como já dito, a forma rigorosa – porém discutível – com que a mistura desenfreada de gêneros é impedida, bem como em razão da presença de Fabrice Luchini, convincente em todas as vertentes da trama sem para tanto precisar de muito esforço – dentro deste contexto, a escalação do ator para o papel principal do filme se mostra inteligente e providencial, afinal, qualquer filme que conte com ele no elenco já começa a partida com alguns pontos a seu favor.

FICHA TÉCNICA

Título Original: L'hermine
Direção e Roteiro: Christian Vincent
Elenco: Berenice Sand, Claire Assali, Fabrice Luchini, Floriane Potiez, Marie Rivière, Michaël Abiteboul, Miss Ming, Sidse Babett Knudsen
Produção: David Gauquié, Etienne Mallet, Franck Elbase, Julien Deris
Fotografia: Laurent Dailland
Montagem: Yves Deschamps
Estreia: 11/08/2016 (Brasil)
Duração: 120 min.

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