EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 29 de janeiro de 2011

Além da Vida

Redondinho mas Sem Graça

Ainda que tecer comparações entre filmes seja uma diversão comum entre cinéfilos, certas banalizações publicitárias não raro servem de incômodo em razão de abstraírem toda e qualquer unidade e exclusividade do objeto de comparação. Neste sentido, por exemplo, não será passível de estranhamento se um dia virmos uma obra como Zona Verde (Green Zone, Paul Greengrass, EUA, 2010) ser anunciada na TV como a incrível fusão da trilogia Bourne com o oscarizado Guerra ao Terror (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, EUA, 2009).
Tal prática, apesar de nefasta, volta e meia permeia a cabeça do espectador de maneira um tanto quanto inevitável; por isso, mesmo discordando dessa tendência devo admitir: assistir Além da Vida (EUA, 2010), o novo filme de Clint Eastwood, foi como testemunhar o cruzamento de Short Cuts (Robert Altman, EUA, 1993) com Ghost (Jerry Zucker, EUA, 1990), dado o roteiro de temática espiritualista desenvolvido por meio de três tramas paralelas que, por óbvio, se cruzam ao final do longa-metragem.
Dentro deste contexto, Além da Vida constitui aquele tipo de trabalho correto, bem acabado, mas que em momento algum desperta empolgação em quem o vê – a não ser, é claro, pela bem conduzida sequência do tsunami que, em virtude de sua concepção envolta em efeitos especiais, muito provavelmente não fora dirigida por Eastwood. Por certo, a montagem burocrática e deveras obediente quanto a ordem em que cada história é contada contribui para tal resultado, assim como as atuações apáticas de membros do elenco – no que se destaca, de forma não positiva, o ator Matt Damon que a ninguém convence como um médium infeliz com seu dom.
Não fosse o bastante, a manjada conclusão “o amor salva” - haveria aí o dedo do produtor Steven Spielberg? – funciona como gota d’água para definir o filme como uma experiência rapidamente esquecível, demonstrando, desta feita, como o rendimento de Clint Eastwood é infinitamente superior quando o projeto é originalmente por ele idealizado.
Mas, para não soar injusto – e no intuito de justificar a cotação infra-firmada –, vale novamente dizer: Além da Vida é eficaz em sua técnica redonda; o que não quer dizer que isso seja o suficiente para garantir o envolvimento daqueles que o assistem...

COTAÇÃO۞۞۞

Ficha Técnica
Título Original: Hereafter
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Estreia no Brasil: 7 de Janeiro de 2011
Duração: 129 minutos

Um comentário:

  1. Olha Dario, concordo contigo, mas ultimamente os filmes do Clint Eastwood tem sido só isso mesmo, um monte de clichês bem feitos... pra gente ver que chichês, quando são bem feitos, rendem bons filmes... "Menina de Ouro" é a prova disso! ;)

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