EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

James Agee¹




Escritor, jornalista poeta, roteirista e crítico de cinema, James Agee (1909-1955) é autor do conhecido livro-reportagem Let Us Now Praise Famous Man, trabalho esse que, realizado em parceria com o fotógrafo Walker Evans, em 1936, narrou a trajetória de duas famílias de agricultores e as condições desumanas de sobrevivência no Alabama durante o período da Grande Depressão.
Com textos para as revistas Time e The Nation, Agee construiu entre o final dos anos 30 até a sua morte em 1955, uma bem estabelecida carreira literária em torno da análise cinematográfica. Graças ao artigo O Diretor Indirigível, publicado na revista Life, Agee conheceu o excêntrico diretor John Huston - que servira de tema central ao supracitado artigo. Segundo o biógrafo Laurence Bergreen, Agee e Huston passaram a rapidamente nutrir uma admiração mútua: “Era só uma questão de tempo até que Huston pensasse em Agee como um colaborador de roteiro [no caso a adaptação do romance African Queen de C.S. Forester que culminaria no filme Uma Aventura na África] (...) Agee começou a ver Huston como uma via de acesso para Hollywood”.
Ocorre que os vícios em álcool e cigarro acabaram interrompendo a carreira de Agee, cuja morte prematura aos 46 anos se deu após o sofrimento de um segundo ataque cardíaco. Conforme conta John Huston sobre Agee:
“Ele trabalhava muito; eu não entendia como ele conseguia produzir tanto. Descobri que ele estava trabalhando à noite e quase não dormia (...) dois ou três dias Após o [primeiro] enfarto, estávamos a sós numa sala, quando Jim disse: ‘Me dê um cigarro’. Respondi: ‘não; Jim, não seria justo com o médico’ Ele pensou e disse: ‘Está bem’”.
Nas palavras do biógrafo L. Bergreen, a morte de Agee “foi uma pena e uma tragédia porque ele era tão talentoso que, se tivesse vivido mais teríamos mais obras de Agee, mais de sua maravilhosa produção”, pensamento esse que é comprovado quando a publicação póstuma de trabalhos intitulada A Death in the Family conquistou em 1959 o cobiçado prêmio Pulitzer.
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1.    BIBLIOGRAFIA:
--------------.http://www.ageefilms.org 
FILMOGRAFIA: Embracing Chaos – Making The African Queen. Dir.: Eric Young, EUA, 2010. Paramount Pictures Corporation.

Filmes com Roteiros de J. Agee:



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