EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 18 de maio de 2011

Kick-Ass – Quebrando Tudo

Hit Girl: A Guilty Pleasure

Há filmes que, dentro de um segmento, conseguem ir além de formatos já estatuídos, firmando, assim, um passo adiante para o gênero. Neste sentido, Kick-Ass – Quebrando Tudo (EUA, 2010) agrega novo fôlego às transposições cinematográficas de histórias em quadrinhos graças, sobretudo, a iniciativa de produtores e do diretor Matthew Vaughn em manter o espírito anárquico e politicamente incorreto do material original¹.
Desse modo, em tempos de obras tão conformistas e padronizadas, não deixa de ser um alento ver um trabalho voltado ao grande público não se curvar perante imposições mercadológicas e apresentar sem qualquer pudor, por exemplo, uma personagem tão cativante e sacana como é a incrível Hit Girl.
Aliás, há tempos o cinema não tirava da manga algo tão provocativo como a heroína mirim de vocabulário chulo e de inegável talento para a matança. Em razão, portanto, da improbabilidade de seu comportamento – somado a genial interpretação de Chloe Moretz - Kick-Ass se torna muito mais que uma inteligente brincadeira com os elementos das histórias de super-heróis, isso porque, apesar de embalada num viés pop, Hit Girl oferece uma acepção nova para a expressão guilty pleasure ao se mostrar fascinante e divertida mesmo quando sabemos que a realidade de crianças que pegam em armas para matar e delinqüir não é uma ficção em países como os do continente africano e até mesmo no Brasil.
 Mas, para não parecer que o longa-metragem se resume a presença dessa personagem coadjuvante, cabem as devidas referências aos seus demais méritos, quais sejam, por exemplo, a esperta montagem que divide com maestria o tempo entre protagonista e demais personagens, bem como o eficiente trabalho de figurino que logra o êxito de transformar as fantasias dos heróis mascarados em ícones pop. Além disso, Kick-Ass soma pontos mais do que necessários na desgastada filmografia de Nicolas Cage que finalmente acerta na escolha de um papel – coisa que não acontecia desde o já longínquo O Sol de Cada Manhã (EUA, Gore Verbinski, 2006).
Por fim, é uma pena que a aguardada continuação da aventura não tenha previsão para ser produzida, afinal, a co-roteirista Jane Goldman assim revelou em entrevista: “Eu não acho que vai acontecer. Não está sendo feito. Estamos todos fazendo coisas diferentes no momento. Gostaríamos muito de fazê-lo novamente, mas todos nós temos sido empurrados em direções diferentes”². Isto posto, fica a certeza de que jamais veremos novamente a Hit Girl criança em ação, afinal, se hoje Chloe Moretz já é uma adolescente, dependendo da demora com que a sequência seja providenciada a atriz pode até lá ter alcançado a idade adulta. Infelizmente todos crescem...
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1.  Dentro deste contexto: “Depois de ter sido rejeitado por vários estúdios, Matthew Vaughn decidiu bancar o projeto através de um jantar de arrecadação. Depois de pronto, vendeu para a Universal por um valor maior do que tinha pedido anteriormente”. FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/kick-ass-quebrando-tudo/noticias-e-curiosidades/.
2.     FONTE: http://cinepop.com.br/noticias2/kickass2_103.htm.

COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Ficha Técnica
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn baseado nos quadrinhos de Mark Millar & John Romita Jr.
Elenco: Kofi Natei (Rasul)Xander Berkeley (Detective Vic Gigante)Clark Duke (Marty) Mark Strong (Frank D'Amico)Omari Hardwick (Marcus) Christopher Mintz-Plasse (Chris D'Amico/Red Mist) Tim Plester (Danil)Tangara Jones (Gang Girl)Michael Rispoli (Big Joe) Randall Batinkoff (Tre Fernandez)Lyndsy Fonseca (Katie Deauxma)Nicolas Cage (Damon Macready) Stu 'Large' Riley (Stu) Ashleigh Hubbard (Blonde) Chloe Moretz (Mindy Macready/Hit-Girl)Deborah Twiss (Mrs. Zane)Aaron Johnson (Dave Lizewski/Kick-Ass) Tamer Hassan (Mike)Kenneth Simmons (Kenny) Adrian Martinez (Ginger Goon)
Figurino: Sammy Sheldon
Edição: Eddie Hamilton, Jon Harris e Pietro Scalia
Estreia no Brasil: 18 de Junho de 2010
Duração: 117 minutos

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