EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 8 de maio de 2011

A Fita Branca

Origens e Razões do Mal

                          Mais do que uma parábola sobre a ascensão do regime nazista, A Fita Branca (Áustria, França, Alemanha, Itália, 2009) constitui um valioso estudo sobre as origens e razões do mal. Nesta toada, submissão e morte são elementos que permeiam a narrativa de ponta a ponta, afinal, o diretor Michael Haneke faz questão de mostrar que a opressão do homem pelo homem não se esgota enquanto produto de desigualdades sociais, visto que é dentro da própria casa, no seio da família que o oprimido se vinga contra a sujeição externa que lhe é imposta, daí violência doméstica e exercício abusivo do pátrio-poder serem assuntos cruciais no longa-metragem.
                    Crus e secos os filmes de Haneke não buscam servir de entretenimento nem dar respostas imediatas; no caso de A Fita Branca o cineasta, tal como experimentara antes em Caché (Áustria, França, Alemanha, Itália, 2005), não se preocupa em definir culpados para os crimes encenados – muito embora aponte sugestões nesse sentido – preferindo, por outro lado, centrar o foco sobre as razões para certas facetas do, não raro bestial, comportamento humano.
                            Esteticamente perfeita, a obra se vale, ainda, de um elenco primoroso – no qual se destacam, sobretudo, os atores-mirins escalados – bem como de uma fotografia amparada no vazio de planos abertos para determinar a densidade como elemento de similitude em um trabalho de forma e conteúdo tão privilegiados.
COTAÇÃO: ۞۞۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: Das Weisse Band 
Direção e Roteiro: Michael Haneke 
Elenco: Janina Fautz (Erna)Gabriela Maria Schmeide (The Steward's Wife)Birgit Minichmayr (Frieda)Sebastian Hülk (Max) Nino Seide (Nino Seide) Hanus Polak Jr. (Detective) Sara Schivazappa (The Italian Nanny)Michael Kranz (The Home Teacher) Arndt Schwering-Sohnrey (Farmer)Anne-Kathrin Gummich (Eva's Mother)Theo Trebs (Ferdinand)Vincent Krüger (Fritz)Ernst Jacobi (The School Teacher (voice))Carmen-Maja Antoni (Bathing Midwife))Marisa Growaldt (The Maid)Florian Köhler (Farmer)Michael Schenk (Detective)Enno Trebs (Georg)Rainer Bock (The Doctor)Fion Mutert (Sigi)Ursina Lardi (The Baronin) Branko Samarovski (The Farmer)Eddy Grahl (Karli)Susanne Lothar (The Midwife)Christian Klischat (Gendarm)Kristina Kneppek (Else)Kai-Peter Malina (Karl)Detlev Buck (Eva's Father)Aaron Denkel (Kurti)Stephanie Amarell (Sophie))Ulrich Tukur (The Baron)Johanna Busse (Margarete)Levin Henning (Adolf)Leonard Proxauf (Martin)Maria-Victoria Dragus (Klara)Steffi Kühnert (The Pastor's Wife)Burghart Klaußner (The Pastor)Christian Friedel (The School Teacher)Leonie Benesch (Eva)Thibault Sérié (Gustav)
Fotografia: Christian Berger
Direção de Arte: Anja Muller
Figurino: Moidele Bickel
Edição: Monika Willi
Estreia no Brasil: 12 de Fevereiro de 2009
Duração: 144 minutos

2 comentários:

  1. Filme majestoso!

    Apesar de curta, a análise foi precisa!

    @IradilsonCosta

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  2. Excelente análise. A FITA BRANCA é uma verdadeira obra-prima -- visualmente arrebatador e narrativamente intrigante. 9/10

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