EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Mágico

Metalinguagem Poética

Cena: Caminhando pela calçada o mágico para na frente de um cinema para apreciar o cartaz do filme em exibição, Meu Tio (Mon Oncle, 1958). Ao perceber que sua recém-companheira de viagem se aproxima junto com um possível namorado, o ilusionista, de maneira atabalhoada, se esconde para evitar que a moça o veja e fique encabulada, ocasião em que o homem adentra na sala de projeção e, curioso, assiste uma cena da supracitada obra de Jacques Tati.
Filme: O Mágico (França, 2010).
Comentário: Por mais que seu enredo lembre muito o drama Luzes da Ribalta (Limelight, 1952) de Charles Chaplin, O Mágico possui inegável identidade própria, ainda mais se pensarmos que se trata da união literária de personagens que na vida real não estabeleceram convívio. Explique-se: a obra de Sylvain Chomet é baseada no “roteiro inacabado de Jacques Tati, escrito entre 1956 e 1959, e enviado em forma de carta para sua filha ilegítima Sophie, a quem o filme é dedicado”¹. Dentro deste contexto, O Mágico não se contenta enquanto mera adaptação de um roteiro, sendo, sobretudo, uma belíssima homenagem ao comediante francês. Uma vez que cada traço e trejeito do protagonista da animação são baseados na figura do ser homenageado², o encontro das versões live-action e animada de Tati resulta num momento de fusão da poesia com a metalinguagem, impressão essa que silenciosamente acompanha o longa-metragem de ponta a ponta graças a condução sutil e delicada de Chomet.
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1.     Revista Preview, ano 2, ed. 20, maio de 2011. p. 69.
2.     Tal qual Jacques Tati “o mágico foi desenhado à semelhança, e batizado com o verdadeiro sobrenome do artista Tatischeff” (Op. Cit.).

 COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Ficha Técnica
Título Original: L’Illusionniste
Direção e Música: Sylvain Chomet
Roteiro: Sylvain Chomet baseado na história original de Jacques Tati
Produtores: Bob Last, Sally Chomet
Elenco:  James T. Muir (Vozes adicionais)Raymond Mearns (Vozes adicionais) Duncan MacNeil (Vozes adicionais)Edith Rankin (Alice-voz)Jean-Claude Donda (The Illusionist / French Cinema Manager -voz)Tom Urie (Vozes adicionais)Paul Bandey (Voz adicional)
Estreia no Brasil: 14 de Janeiro de 2011
Duração: 90 minutos

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