EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Super 8

Saudade da Infância

Certa vez alguém escreveu que adoraria ter assistido Onde Vivem os Monstros (Spike Jonze, EUA, 2009) enquanto criança para, assim, melhor desfrutar a alma do filme. A mesma sensação experimentei ao assistir Super 8 (EUA, 2011), eis que a aventura de J.J. Abrams possui um ar nostálgico que automaticamente me levou a rememorar os clássicos de minha infância e a pensar sobre a capacidade que tiveram de se fincar em meu imaginário.
Infelizmente o tempo me tornou deveras criterioso e, assumo, por vezes blasé quando o assunto é a sétima arte, daí certas oscilações de ritmo de Super 8 não me passarem incólumes. Dito isso, vejamos como se comportam cada uma das partes do longa-metragem:
  •  Primeira metade: valendo-se de um cativante elenco juvenil – no que se destaca a bela Elle Fanning –, Abrams, sem pressa, explora os personagens e constrói o suspense. Dentro deste contexto, além de discorrer sobre sua paixão pelo cinema, o diretor entrega uma não planejada, mas bem sucedida celebração do filão ‘garotos-que-sobre-as-rodas-de-bicicletas-vivem-através-de-aventuras-fantásticas-as-primeiras-transições-da-vida’ tão popularizado pelo produtor Steven Spielberg.
  • Segunda metade: é aberta a porteira para a aventura desenfreada, ocasião em que Abrams se rende a clichês e soluções sentimentalóides que já no passado depunham contra determinadas obras de Spielberg.
                    Isto posto, ao abraçar aspectos positivos e negativos dos trabalhos spielberguianos, Super 8 assume de vez o viés da homenagem, firmando-se, de modo geral,  como entretenimento acima da média realizado por um cineasta que, apesar de ainda não passar de um funcionário padrão, demonstra uma inegável classe, qualidade essa, ressalte-se, ausente em outros apadrinhados de Spielberg como Michael Bay, por exemplo.

COTAÇÃO۞۞۞

Ficha técnica
Direção e Roteiro: J.J. Abrams
Produção: J.J. Abrams e Steven Spielberg
Elenco: Elle Fanning (Alice Dainard)Kyle Chandler (Jackson Lamb)Amanda Michalka (Jen Kaznyk)Ryan Lee (IX) (Cary)Zach Mills (Preston)Joel Courtney (Joe Lamb)Beau Knapp (Breen)Gabriel Basso (Martin)Riley Griffiths (Charles)Ron Eldard (Louis Dainard)Noah Emmerich (Nelec)Joel McKinnon Miller (Mr. Kaznyk)Jessica Tuck (Mrs. Kaznyk)Jade Griffiths (Benji Kaznyk)Britt Flatmo (Peg Kaznyk)Glynn Turman (Dr. Woodward)Richard T. Jones (Overmyer)Amanda Foreman (Lydia Connors)David Gallagher (Donny)Brett Rice (Sheriff Pruitt)Bruce Greenwood (Cooper)Dale Dickey (Edie)Jack Axelrod (Mr. Blakely)Dan Castellaneta (Izzy)
Fotografia: Larry Fong
Música: Michael Giacchino
Direção de Arte: David Scott e Domenic Silvestri
Figurino: Ha Nguyen
Edição: Maryann Brandon
Estreia no Brasil: 12 de Agosto de 2011
Estreia Mundial: 10 de Junho de 2011
Duração: 112 minutos

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