EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fotógrafo de Guerra

Protesto Contra a Violência Individual e Coletiva

Considerado por muitos como o mais importante fotógrafo de guerra da atualidade, James Nachtwey tomou a decisão de seguir tal profissão nos anos 70 quando, durante o conflito no Vietnã, fotojornalistas eram responsáveis por fazer chegar ao grande público imagens chocantes que denunciavam as práticas desumanas ali experimentadas pela população local, contradizendo, assim, discursos políticos e militares que insinuavam ser aquele um embate justificável.
Após mais de duas décadas de dedicação a uma causa, Nachtwey é visto entre seus pares como um homem reservado que, apesar de marcado pelas desgraças testemunhadas durante anos, pouco comenta sobre elas através de palavras.  Solitário, o fotógrafo não é o tipo de profissional que ao final do dia sai para beber com soldados, o que, aliado a seu otimismo, colabora para que sua visão de mundo não se torne cínica nem desesperançosa quanto a possibilidade de seu trabalho servir de denúncia quanto ao sofrimento e barbárie da guerra para, desta feita, transformar uma realidade.
Há quem entenda que tão rigorosa entrega ao labor o leva a diariamente ultrapassar limites de segurança, daí, não raro, o fotógrafo se colocar no epicentro do fato ocorrido para não só registrá-lo como também para, na medida do possível, tentar despertar a compaixão dos sujeitos da ação.
Fotógrafo de Guerra (EUA, 2001), dentro deste contexto, é o imperdível documentário que não só estuda tal figura como também consegue a proeza de pô-lo para falar sobre si e sua produção. O resultado da experiência do diretor Christian Frei é mostrado mediante uma poderosa seleção de imagens de conflito e de miséria na Ruanda, África do Sul, Israel, Indonésia e Kosovo, somada a valiosos relatos de Nachtwey que comenta tanto sobre seu modus operandi quanto sobre as expectativas por ele nutridas de que o material imagético produzido seja fiel e digno para com a dor vivida pelos seres fotografados.
Ante o exposto, o longa-metragem pode ser compreendido como uma homenagem não só a Nachtwey mas também a todos os demais profissionais que, como ele, não titubeiam antes de porem suas vidas em risco em prol da obtenção de imagens cujo teor pode não só sensibilizar a opinião pública como também mudar os rumos da política bélica internacional. Fascinante!

COTAÇÃO۞۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: War Photographer
Direção, Produção e Edição: Christian Frei

Um comentário:

  1. Baixar o Documentário - Fotógrafo de Guerra - http://mcaf.ee/arbcg

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