EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres

Esse Comprometedor Objeto de Fascinação

Enquanto poeta e músico, o estilo de Serge Gainsbourg, apesar de não raro indecoroso, não primava por arroubos revolucionários enquanto expressão artística. Seu modo de vida excêntrico, entretanto, se aproximava ao de um autêntico rock star. Neste sentido, as inúmeras histórias que o cercam, verdadeiras ou inventadas, são abraçadas pela diretora Joann Sfar em Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres (França, 2010), aspecto esse para o qual se mostra imperioso informar que uma vez baseado na graphic novel de autoria da própria cineasta, o longa-metragem deixa de lado o realismo para dar vazão a uma toada lúdica e, por vezes, surreal, o que, ressalte-se, em momento algum significa um demérito para a produção, eis que a estranheza – aqui materializada no alter ego do protagonista – representa um bem vindo elemento de diferenciação que retira a cinebiografia do lugar comum.
É de se lamentar, porém, que tamanho fascínio de Sfarr pelo ídolo homenageado, leve a primeira, mesmo na presença de um fabuloso elenco, a sacrificar certos personagens coadjuvantes¹, dando-lhes abruptas entradas ou saídas de cena. Apesar de parecer insignificante ante o inegável alto astral do filme, este é um pecado relevante o bastante para tornar comprometido o bom andamento da narrativa.
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1.     No que se destaca a irreverente participação especial do cineasta Claude Chabrol pouco tempo antes de sua morte.

 COTAÇÃO: ۞۞۞


Ficha Técnica
Título Original: Gainsbourg (Vie Héroïque)
Direção e Roteiro: Joann Sfar
Elenco:  Eric Elmosnino (Serge Gainsbourg)Doug Jones (La Gueule)Anna Mouglalis (Juliette Gréco)Mylène Jampanoï (Bambou)Kacey Mottet Klein (Lucien Ginsburg)Razvan Vasilescu (Joseph Ginsburg)Dinara Drukarova (Olga Ginsburg)Philippe Katerine (Boris Vian)Deborah Grall (Elisabeth Levizky)Yolande Moreau (Fréhel)Lucy Gordon (Jane Birkin)Laetitia Casta (Brigitte Bardot)Sara Forestier (France Gall)Claude Chabrol (produtor musical de Gainsbourg)
Música: Olivier Daviaud
Edição: Maryline Monthieux
Fotografia: Guillaume Schiffman
Estreia no Brasil: 08 de Julho de 2011
Estreia Mundial: 20 de Janeiro de 2010
Duração: 130 minutos
Grande Cena: Gainsbourg grava, na Jamaica, uma versão reggae da Marselhesa.
Curiosidades:
“A intenção original de Joann Sfar era que Charlotte Gainsbourg, filha de Serge Gainsbourg, interpretasse o pai no filme. A atriz até aceitou a proposta mas, seis meses depois, desistiu do filme por ser doloroso demais interpretar o próprio pai. Sfar estava prestes a desistir do filme quando conheceu Eric Elmosnino, que ficou com o papel” (FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/gainsbourg-o-homem-que-amava-as-mulheres/noticias-e-curiosidades/).
“A atriz e modelo inglesa Lucy Gordon, que interpreta Jane Birkin no filme, cometeu o suicídio aos 28 anos, em 2009, pouco após o término das filmagens. Ela se enforcou no flat onde morava em Paris” (FONTE: Revista Preview. ed. 22. julho de 2011. p.50).

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