EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 21 de abril de 2012

Inquietos

 Adorável Mesmo que com Erros
        
        A capacidade de comunicação de Gus Van Sant com gerações anteriores a sua é admirável. Há tempos o cineasta se destaca como talvez o único capaz de falar a língua dos jovens sem para tanto apelar a um viés pop ao modo MTV. Através da prática de um cinema de arte voltado a compreender os dramas de adolescentes e recém entrados da fase adulta, Van Sant demonstra enorme respeito para com tal público, razão pela qual o convencionalismo é o tipo de atributo pouco encontrado seja em suas produções comerciais seja em seus trabalhos dito alternativos.
        Dito isso, é estranho como Inquietos (EUA, 2011) vai de encontro a tal regra na medida em que se mostra como fusão de idéias alheias. Assim, o encontro de protagonistas desencadeado ao estilo Ensina-me a Viver (EUA, 1971) se transforma numa tragédia com hora marcada tal qual Um Amor Para Recordar (EUA, 2003). Menos mal que a obra manifesta conexão mais com o primeiro do que com o segundo exemplo, eis que o diretor afugenta qualquer toada piegas para, em contrapartida, se concentrar na faceta outsider de seus personagens principais cujos charmes, ressalte-se, garantem ao filme um considerável quê de adorável¹.
         Ainda que não cumpra todas as expectativas geradas a partir de seu início, Inquietos é delicado e comprometido o bastante para com os assuntos abordados, o que, consequentemente, lhe torna muito melhor do que qualquer uma das baboseiras juvenis mensalmente despejadas nos cinemas e locadoras. 
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1. Se, por um lado, Mia Wasikowska logra o êxito de ter o desempenho menos irregular de sua carreira, Henry Hopper ilumina a tela com olhares que lembram não só seu pai mas também um certo James Franco.


Ficha Técnica
Título Original: Restless
Direção: Gus Van Sant             Roteiro:Jason Lew
Produção:Brett Cranford, Brian Grazer, Bryce Dallas Howard, Ron Howard
Elenco: Jesse Henderson (Alger Cofax) Paul Parson (Edward)Kyle Leatherberry (Orderly)Victor Morris (Joseph)Colton Lasater (Ozzie)Ryo Kase (Hiroshi)Lusia Strus (Rachel)Henry Hopper (Enoch Brae)Mia Wasikowska (Annabel)Schuyler Fisk (Elizabeth Cotton)Jane Adams (II) (Mabel Tell)Chin Han (Dr. Lee)Frank Etxaniz (Frank) Victor Morris (Joseph)Sotirios Bakouros (Ian)Meg Chamberlain (Suzette)Kelleen Crawford (Nurse Laura)Jhon Goodwin (Nurse Goodwin)
Estreia no Brasil: 25.11.2011           Estreia Mundial: 16.09.2011
Duração: 91 min.
Curiosidade: David Fincher optou por terminar seu filme A Rede Social com uma canção dos Beatles, Baby You’re a Rich Man. Gus Van Sant, por seu turno, preferiu abrir Inquietos com um sucesso também dos fab four, qual seja a belíssima Two of Us.

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