EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 8 de maio de 2013

Em Transe



Detalhe Hipnótico

Apesar de num primeiro e imediato momento Em Transe (Reino Unido, 2013) lembrar Amnésia e seu desmemoriado protagonista, o novo filme de Danny Boyle mais parece um derivado, com hipnose, de outro título de Christopher Nolan, qual seja A Origem – e, é claro, seus ascendentes Paprika e eXistenZ. Eis, porém, que já próximo ao fim uma série de revelações mudam a compreensão anterior para assim determinar que, na verdade, o longa-metragem é uma versão, com hipnose, de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.
Tantas referências, vale dizer, não apagam o brilho de Em Transe tendo em vista que, acima de enveredar pelos muitos e enigmáticos percursos trilhados pela mente humana, a intenção de Boyle é empregar frescor, agregar novos elementos a boa e velha história de assalto, tarefa, aliás, cumprida com folga.
Valendo-se de um ritmo frenético e de um roteiro que não deixa pontas soltas, o cineasta aplica peça atrás de peça no espectador a quem nada resta a fazer senão se deixar levar pela esfuziante narrativa. Nesta toada, merece destaque o trabalho de edição que não deixa o público se perder por completo nem ficar mais confuso do que o necessário, missão, convenhamos, nada simples considerando as inúmeras reviravoltas e idas e vindas no tempo apresentadas.
Por fim, no que tange o elenco, James McAvoy dá conta daquilo que lhe cabe sem dificuldades, enquanto Vincent Cassel entrega sua eficiente crueza de costume e Rosario Dawson, digna de aplausos, esbanja falta de acanhamento contribuindo, assim, para acrescentar um detalhe no mínimo inusitado a trama.

FICHA TÉCNICA
Direção: Danny Boyle
Produção: Danny Boyle, Christian Colson
Roteiro: Joe Ahearne, John Hodge
Elenco: James McAvoy, Rosario Dawson,  Vincent Cassel, Tuppence Middleton, Wahab Sheikh, Danny Sapani, Gioacchino Jim Cuffaro, Lee Nicholas Harris, Ben Cura, Hamza Jeetooa, Sam Creed, Alex Roseman, Matt Cross, Kelvin Wise, Kimberly Barrios, Shonn Gregory, Seelan Gunaseelan, Kostas Katsikis, Simone Liebman
Fotografia: Anthony Dod Mantle
Estreia Mundial: 27.03. 2013            Estreia Brasil: 03.05. 2013
Duração: 103 min.


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