EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 18 de maio de 2013

Pedalando com Molière



Aula de Roteiro

Em Pedalando com Molière (França, 2011) dois atores se reúnem para ensaiar a peça O Misantropo; neste processo, a história de aversão ao ser humano e à natureza humana por aqueles encarnada acaba se confundindo, servindo de paralelo para o que eles próprios experimentam entre si e com os que lhe são próximos.
Não resta dúvida que essa fusão da ficção do texto de Molière e da realidade enfrentada pelos atores/personagens poderia resultar densa, sisuda, mas, eis que o roteiro de Philippe Le Guay inteligentemente envereda pelo caminho do humor tornando charmosíssimo o longa-metragem e, o que é melhor, sem jamais vulgarizá-lo. Não fosse o bastante, o mesmo roteiro ainda revela um notável destemor ao apostar num ponto de virada que inevitavelmente acarreta uma conclusão de gosto amargo, porém, deveras coerente seja com o que um dia escrevera Molière seja com o ser humano e sua natural essência mesquinha.
Por último, a análise restaria incompleta caso não fosse ressaltado que o êxito do produto final se deve não só a riqueza de seu texto mas também em muito aos onipresentes Fabrice Luchini e Lambert Wilson que juntos dão show entregando uma parceira, sem exageros, facilmente classificável como uma das mais marcantes do cinema francês.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Alceste à Bicyclette
Direção e Roteiro: Philippe Le Guay
Produção: Anne-Dominique Toussaint
Elenco: Fabrice Luchini, Lambert Wilson, Maya Sansa, Camille Japy, Annie Mercier, Laurie Bordesoules
Fotografia: Jean-Claude Larrieu
Duração: 105 min.

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