EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 24 de novembro de 2013

Frances Ha



As Aparências Enganam

Na superfície Frances Ha é um filme aparentemente bobo, engraçadinho; contudo, as várias camadas nele escondidas não exigem um mergulho muito profundo para serem percebidas. Isto posto, muitos veem no longa-metragem de Noah Baumbach – do impecável A Lula e a Baleia (2005) – uma repetição do estilo de Woody Allen em face, sobretudo, da verborragia e da fotografia em preto e branco que remetem a obras como Manhattan e Memórias, embora no conteúdo Frances divirja consideravelmente delas na medida em que  se debruça sobre questões estranhas ao universo de Allen.
Dentro deste contexto, o roteiro de Baumbach e da apaixonante Greta Gerwig direciona o olhar para uma fase específica enfrentada pelos recém-adultos, qual seja o, digamos, segundo ciclo de transições experimentado após a adolescência, leia-se, aquele instante em que ter saído de casa e começado a ganhar algum dinheiro não é mais suficiente, eis que chegada a hora de ser ainda mais rentável e responsável porque todos ao redor estão formando suas respectivas famílias e pavimentado em definitivo suas estradas para o futuro. Trata-se do momento em que os amigos de longa data se tornam esporádicos, por mais impossível que isso antes pudesse parecer, ocasião essa em que a despeito da evolução e amadurecimento daqueles, a exigência de semelhante passo e postura parece ainda um tanto prematura para alguns. 
Frances Ha exala esse espírito e o faz com autenticidade e bom humor, êxito esse garantido em grande parte por Greta Gerwig que apresenta o tipo de desempenho em que a atriz parece se confundir com a própria personagem. Cativante e melancólico, as vezes triste e, por isso, tão real, Frances Ha funciona como espelho do espectador no que atine a instantes que ele jamais imaginava um dia fossem lembrados pelo cinema. Verdadeiro, portanto.

Ficha Técnica


Direção: Noah Baumbach

Roteiro: Noah Baumbach, Greta Gerwig

Produção: Noah Baumbach, Scott Rudin, Lila Yacoub, Rodrigo Teixeira

Elenco: Greta Gerwig, Adam Driver, Mickey Sumner, Michael Zegen, Patrick Heusinger, Michael Esper


Fotografia: Sam Levy

Edição: Jennifer Lame

Estreia no Brasil: 23.08.2013                             Estreia Mundial: 17.05.13

Duração: 84 min.
Site: http://www.franceshamovie.com/

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