EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 8 de março de 2015

Diana



Falha Imperdoável

Diana (Reino Unido, 2013) aposta num específico lado ou teoria em torno da vida e morte da princesa de Gales, qual seja o relacionamento secreto rompido pouco antes do acidente automobilístico que a vitimara. Diana, como sabido morrera ao lado de Dodi Al-Fayed, milionário egípcio rapidamente alçado por tabloides ao título de amante daquela, porém, de acordo com o longa-metragem de Oliver Hirschbiegel - baseado no livro de Kate Snell, Diana: Her Last Love - o coração de Lady Di pertencia na verdade ao cirurgião paquistanês Hasnat Khans, figura que a produção demonstra inconteste vigor em apresentar para o público.

Além de se esforçar para compor um retrato do médico plebeu que tanta importância e influência detinha perante a princesa do povo, o filme também se esmera em não tecer um relato idealizado desta última. Com efeito, a obra não cai na armadilha de elencar vítimas e vilões, ou seja, Diana é mostrada como uma mulher que sofre com o fim do matrimônio sem, entretanto, deixar buscar a felicidade amorosa, além de ser exibida como uma celebridade que se incomoda com a falta de privacidade proporcionada pela imprensa mas que também sabe se valer desta em prol de interesses seja humanitários, seja pessoais. Desse modo, Hirschbiegel não hesita em afirmar que Diana treinava previamente suas performances para as câmeras e deixava vazar informações particulares a paparazzis quando assim lhe convinha.
Dito isso, o título se desincumbe das tarefas de apresentar dignamente Hasnat Khans e de retratar a princesa Diana sem ser chapa branca, porém, vacila de maneira colossal ao esquecer de tratar Dodi Al-Fayed com o mínimo de zelo ante a narrativa. Neste sentido, a figura do egípcio, supostamente usado por Diana para despertar ciúme no paquistanês, cai de paraquedas na trama não tendo adiante qualquer desenvolvimento de sua personalidade realizado, erro inconcebível e um tanto inacreditável tendo em vista ser este um personagem deveras importante em meio ao trágico fim da ex-mulher do herdeiro do trono britânico.

FICHA TÉCNICA

Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Stephen Jeffreys
Elenco: Naomi Watts, Art Malik, Cas Anvar, Charles Edwards, Daniel Pirrie, Douglas Hodge, Geraldine James, Harry Holland, Jonathan Kerrigan, Juliet Stevenson, Laurence Belcher, Michael Byrne, Michael Hadley, Naveen Andrews, Raffaello Degruttola, Thusitha Jayasundera
Produção: Douglas Rae, Robert Bernstein
Fotografia: Rainer Klausmann
Estreia: 18.10.13                                Duração: 111 min.

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