EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 15 de março de 2015

Para Sempre Alice


Sucinto e Sutil

Sem apelar nem ser piegas Para Sempre Alice (EUA, 2014) dói na alma do espectador seja pelo desespero que a doença de Alzheimer precocemente detectada acarreta na protagonista seja pelo martírio enfrentado por sua família cujos membros acabam por vezes agindo naturalmente com egoísmo ante a alteração de cotidiano proporcionada pela enfermidade daquela.
Neste sentido, Gustavo Assumpção salienta:

“o filme consegue estabelecer uma relação direta com o espectador, sempre alfinetado pelo comportamento dos personagens coadjuvantes. Alice possui filhos, marido, uma família. Mas, tão complexos e presos em suas individualidades, eles lidam de maneiras diferentes com a doença da personagem. O comportamento oposto entre Anna (Kate Bosworth) e Lydia (Kristen Stewart) humaniza esta trajetória, assim como a possível insesibilidade de seu companheiro, vivido pelo veterano Alec Baldwin”¹.
Em meio a esse cenário, o longa-metragem chama a atenção pela sutileza com que aborda a questão da doença degenerativa que é o mal de Alzheimer. Sintéticos, os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland promovem o corte das cenas mais melancólicas sempre a tempo de evitar que resvalem no melodrama. Com efeito, a forma exitosa com que tratam de sentimentos a flor da pele se deve em muito ao método adotado por Julianne Moore para a condução de sua Alice. Sem esforço, a atriz não exagera em cena alguma e constrói uma personagem marcante na medida em que jamais clama por dó.
Vencedora do Oscar por tal papel, Moore assume com tranquilidade as diversas mudanças de comportamento experimentadas por Alice no decorrer de sua doença e o faz sempre com veracidade sem recorrer a truques performáticos nem contorcionismos, eis que interessa a ela e a produção explorar, sobretudo, o processo de degeneração da mente e não tanto do corpo, afinal para esse último viés já existe uma obra imbatível: Amor² (França, Alemanha, Áustria/2012), de Michael Haneké.
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1.     FONTE: http://www.cineclick.com.br/criticas/para-sempre-alice. Acesso em 12.03.15.
2.     Leia mais sobre Amor em http://setimacritica.blogspot.com.br/2013/02/amor.html.

FICHA TÉCNICA


Título Original: Still Alice

Direção e Roteiro: Richard Glatzer, Wash Westmoreland

Elenco: Julianne Moore, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Alec Baldwin, Cali T. Rossen, Cat Lynch, Daniel Gerroll, Eha Urbsalu, Erin Darke, Hunter Parrish, Orlagh Cassidy, Rosa Arredondo, Seth Gilliam, Shane McRae, Stephen Kunken, Victoria Cartagena

Produção: James Brown, Lex Lutzus, Pamela Koffler

Fotografia: Denis Lenoir

Montagem: Nicolas Chaudeurge

Estreia Brasil: 12.03.2015

Duração: 101 min.

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