EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 22 de março de 2015

Um Santo Vizinho



Cine Reprise


Para melhor apreciar e se deixar envolver por Um Santo Vizinho (EUA, 2014) uma medida se faz necessária: esquecer que esse filme já foi feito e visto pelo menos uma dezena de outras vezes, afinal, seu roteiro apresenta a clássica história da amizade masculina improvável porque protagonizada por figuras muito díspares. Neste diapasão, pode-se de imediato elencar dentre as obras com narrativas parecidas Rain Man (EUA, 1988), Intocáveis¹ (França, 2011) e Perfume de Mulher (EUA, 1992) – valendo destacar no que tange este último a sequência do discurso final edificante repetida no título ora analisado. Já a presença infantil na trama faz lembrar a amizade entre um adulto cínico e menino deslocado representada em Um Grande Garoto (EUA/Reino Unido/França, 2002). Por seu turno, os demais personagens que compõem o enredo de Um Santo Vizinho se agrupam em torno dos dois personagens principais para pouco a pouco formar uma família tão disfuncional quanto aquela mostrada em Pequena Miss Sunshine² (EUA, 2006) – aliás, qualquer semelhança entre os pôsters das produções não é mera coincidência.
Com efeito, apesar da falta de ineditismo da obra, é inegável que um certo charme a permeia, o que é fruto de uma trilha musical envolvente e, sobretudo, de um exitoso trabalho de elenco que inclui Melissa McCarthy provando ser ótima atriz dramática, Naomi Watts chamando a atenção com um sotaque estranhíssimo, Terrence Howard discreto e eficiente, Bill Murray a vontade como de costume e o novato Jaeden Lieberher revelando extrema maturidade e naturalidade num papel que se desempenhado de forma equivocada poria a perder todo o filme.
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1. Leia mais sobre Intocáveis em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/08/intocaveis.html.
2. Leia mais sobre Pequena Miss Sunshine em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/02/os-descendentespequena-miss-sunshine.html.

FICHA TÉCNICA


Título Original: St. Vincent

Direção e Roteiro: Theodore Melfi

Elenco: Naomi Watts, Bill Murray, Melissa McCarthy, Terrence Howard Addison Rose Melfi, Alexandra Fong, Amber Clayton, Ann Dowd, Brenda Wehle, Brian Berrebbi, Chris O'Dowd, Dario Barosso, David Filippi, David Iacono, Deirdre O'Connell, Donna Mitchell, Elliot Santiago, Emma Fisher, Frank Wood, Fred Evanko, Gabe Hernandez, Greta Lee, J. Elaine Marcos, Jaeden Lieberher, Jagger, James Andrew O'Connor, Jeff Bowser, Joann Lamneck, Katharina Damm, Kerry Flanagan, Kimberly Quinn, Larry Gray, Lenny Venito, Maria Elena Ramirez, Maria-Christina Oliveras, Melanie Nicholls-King

Estreia Brasil: 19.02.15                                Duração: 103 min.

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