EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Jersey Boys - Em Busca da Música



Momento Derrapada

Clint Eastwood vinha há anos dirigindo filmes ótimos ou ao menos acima da média. Tal sequência positiva foi, entretanto, interrompida por Jersey Boys - Em Busca da Música (EUA, 2014), adaptação de um musical da Broadway que narra a trajetória turbulenta da banda Frankie Valli & The Four Seasons seja quanto a carreira seja quanto a vida pessoal de seu cantor, sobretudo, e demais membros.
Neste passo, o diretor tenta a todo custo diferenciar seu filme de outras tantas cinebiografias sobre ícones da música, contudo, a tentativa soa pífia na medida em que os instrumentos utilizados para tanto não convencem em momento algum, isso porque o humor resulta tolo e a quebra da quarta parede realizada por alguns personagens se mostra deslocada, sem propósito perante a trama.

Ademais, mesmo sendo excessivamente longo, o filme perde a oportunidade de explorar a contento algumas interessantes e importantes figuras, senão vejamos:
- na pele de um mafioso que pouco temor desperta, Christopher Walken não tem seu talento corretamente aproveitado pela produção, o que consequentemente faz com que deixe de ser devidamente examinada a interferência da máfia sobre moradores de Nova Jersey nos idos de 1950 bem como sua influência na consolidação de carreiras artísticas;
- destarte, Eastwood opta por dar prevalência aos dramas familiares de Frankie Valli, mas, tal como feito com o personagem de Walken, deixa de expor de maneira adequada a participação da filha do músico nesse sentido, já que a mesma entra e sai de cena de forma abrupta, daí sua relação com o pai parecer tão desinteressante na tela.
Sem graça nuns instantes, novelesco em outros e constrangedor já próximo ao término - graças a um precário trabalho de envelhecimento/maquiagem dos atores - Jersey Boys se aproxima nos erros de My Way – O Mito Além da Música (França, 2012), longa-metragem também deveras enfadonho que discorre sobre o cantor e compositor francês Claude François¹. Considerando o viés cômico do título em comento, mais interessante seria se Eastwood seguisse o exemplo de Tom Hanks e fizesse um trabalho simples, conciso e alto-astral como The Wonders – O Sonho Não Acabou (EUA, 1997)², afinal seus enredos em muito se assemelham.
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1. Leia mais sobre My Way em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/08/my-way-o-mito-alem-da-musica.html
2. Leia mais sobre The Wonders em http://50anosdefilmes.com.br/1997/the-wonders-o-sonho-nao-acabou-that-thing-you-do/

FICHA TÉCNICA 

Título Original: Jersey Boys
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: John Logan, Rick Elice
Elenco: Alexis Krause, Aria Pullman, Ashley Leilani, Barry Livingston, Christopher Walken, Erica Piccininni, Erich Bergen, Francesca Eastwood, Freya Tingley, Ian Scott Rudolph, Jackie Seiden, Jacqueline Mazarella, James Madio, Jeremy Luke, John Lloyd Young, Joseph Russo, Kara Pacitto, Kathrine Narducci, Meagan Holder, Michael Patrick McGill, Mike Doyle, Nancy La Scala, Phil Abrams, Sean Whalen, Silvia Kal, Steve Monroe, Steve Schirripa, Vincent Piazza
Produção: Graham King, Tim Headington
Fotografia: Tom Stern
Montagem: Gary Roach, Joel Cox
Estreia: 26/06/2014 (Brasil)
Duração: 135 min.

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