EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

My Way – O Mito Além da Música


Comédia Involuntária

O medo que o músico Claude François possuía de se tornar démodé ilustra perfeitamente o grande defeito da adaptação cinematográfica de sua vida My Way – O Mito Além da Música (França, 2012), na medida em que, por se contentar em ser uma espécie de versão europeia de La Bamba (EUA, 1987), a obra se mostra convencional e até mesmo antiquada caso o parâmetro utilizado leve em conta a pegada fantasiosa, para não dizer surrealista, de outra produção francesa do gênero, qual seja o contemporâneo GainsbourgO Homem que Amava as Mulheres (2010).
Não bastasse seguir religiosa e cronologicamente todos os elementos que compõem a fórmula de filme dessa espécie (relações familiares conturbadas, início de carreira tortuoso, sucesso, estrelismo, altos e baixos da fama, tragédia final), o drama ainda padece de uma duração excessivamente longa, característica essa, convenhamos, desnecessária para uma história que ante a falta de ineditismo não demandava tanto tempo. Some-se a esse quadro a mise-en-scène cafona do diretor Florent Emilio Siri, a afetada interpretação do ator principal Jérémie Renier e, por fim, tem-se um novelão piegas que, ao invés de tocar, provoca gargalhadas involuntárias - sinal dos mais graves de que algo não saiu conforme o esperado.

Ficha Técnica
Título Original: Cloclo
Direção: Florent Emilio Siri
Roteiro: Florent-Emilio Siri e Julien Rappeneau
Elenco: Benoît Magimel, Jérémie Renier, Monica Scattini, Édouard Giard,Alison Wheeler, Ana Girardot, Eric Savin, Jérémy Charbonnel, Janicke Askevold, Joséphine Japy, Marc Barbé, Maud Jurez, Robert Knepper,Sabrina Seyvecou, Sophie Meister
Duração: 148 min.

Um comentário:

  1. Não poderia concordar mais. Achei uma verdadeira tortura assistir esse filme até o final.

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