EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aconteceu em Woodstock


A Cereja do Bolo

Não deixa de ser curioso que um asiático como Ang Lee apresente uma versão própria sobre um evento tão intrínseco da história cultural norte-americana como o festival de Woodstock.
Se por um lado esta diversidade geográfica permite uma abordagem sóbria e não tendenciosa, por outro exclui de Aconteceu em Woodstock (EUA, 2009) a dose de emoção necessária para torná-lo cativante aos olhos do público. Na verdade, Lee opta por um viés burocrático que não abre espaço para o ingrediente fundamental da receita: a música.
Desta feita, a cereja do bolo é solenemente ignorada, de forma que imagens dos concertos ou até mesmo representações dos mesmos não são incluídas no filme. Tudo isto se deve, é claro, pelo feixe narrativo adotado no material original inspirador do roteiro, daí porque os fatos macro servem apenas de cenário e motivação para acontecimentos micro, o que, inevitavelmente, gera frustrações eis que, por mais interessantes que sejam as experiências e descobertas do protagonista, sua trajetória não suplanta mas sim se confunde com a do festival.
Ademais, mesmo que todo o elenco se esmere em caprichadas interpretações – no que se destaca a atriz Imelda Staunton – permanece a impressão de que papeis coadjuvantes com potencial para ótimos momentos, dada suas naturezas excêntricas, restam mal aproveitados por conta da limitada função de escada para o protagonista que lhes é empregada.
Apesar das nítidas boas intenções, Ang Lee pode não ter realizado uma obra integralmente fraca, mas, sem dúvida, produziu algo aquém de seu talento e das expectativas envolvidas. Quem sabe numa próxima oportunidade ele acerte...

COTAÇÃO: ۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: Taking Woodstock
Direção: Ang Lee
Produtores: Ang Lee, James Schamus
Música:Danny Elfman
Fotografia:Eric Gautier
Direção de arte:Peter Rogness
Figurino:Joseph G. Aulisi
Edição:Tim Squyres
Elenco: Henry Goodman (Jake Teichberg)Edward Hibbert (British Gentleman)Imelda Staunton (Sonia Teichberg)Demetri Martin (Elliot Teichberg)Emile Hirsch (Billy)Sondra James (Margaret)Bette Henritze (Annie)Clark Middleton (Frank)Kelli Garner Paul Dano Jeffrey Dean Morgan (Dan)Christina Kirk (Carol)
Estreia no Brasil: 28 de Agosto de 2009
Duração: 120 minutos

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