EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nosso Lar


Aprimoramento da Linguagem

Abordar uma obra como Nosso Lar (Brasil, 2010) requer um afastamento de eventuais crenças filosóficas e/ou religiosas em benefício de uma análise imparcial e centrada nos aspectos técnicos do trabalho cinematográfico.
Nesta toada, salta aos olhos o eficiente – ainda que não necessariamente original e por vezes cafona – trabalho de direção de arte, cuja habilidade logra êxito em materializar elementos do livro homônimo aparentemente complexos para uma filmagem.
Contudo, o apuro visual, infelizmente, se constrói como um trunfo isolado do longa-metragem, visto que a direção excessivamente respeitosa de Wagner de Assis se por um lado evita que temas controversos como a arrecadação de bônus-horas e a utilização de tecnologia avançada caiam na comicidade, por outro lado não consegue impedir o tom solene das interpretações e de diálogos que, na verdade, mais parecem discursos.
De qualquer forma, Nosso Lar, apesar dos altos e baixos e independentemente de sua temática, representa mais um passo no processo de amadurecimento do cinema nacional no que atine o aprimoramento de sua linguagem, o que, convenhamos, já é motivo de congratulações.

COTAÇÃO: ۞۞۞

 

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Wagner de Assis
Música:Philip Glass
Fotografia:Ueli Steiger
Direção de Arte:Lia Renha
Figurino:Luciana Buarque
Edição:Marcelo Moraes
Estreia no Brasil: 3 de Setembro de 2010
Duração: 102 minutos

Um comentário:

  1. Pelo visto, apesar dos "altos e baixos", irei experimenta este filme., pois sempre uma duvida restava se haveria apelo exarcebado referente ao tema.

    Ótimo blog!!

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