EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rastros de Justiça

A Inutilidade da Vingança

 

Décadas após presenciar seu irmão ser assassinado por razões políticas, Joe Griffin (James Nesbitt) é convidado a reencontrar o autor do crime Alistair Little (Liam Neeson) perante as câmeras de um programa de televisão.

Lançando mão de sacadas espertas, o roteiro de Rastros de Justiça (Inglaterra, 2009) busca jogar nova luz sobre o tema do reencontro entre vítima e agressor já tão abordado pelo cinema em filmes como o noventista A Morte e a Donzela (Death and the Maiden, 1994).

Assim, além de transformar em atração televisiva a situação limite dos personagens, o longa ainda localiza a trama em meio aos conflitos vigentes na Irlanda da Norte por conta do domínio britânico.

Neste sentido, as discussões políticas e religiosas infelizmente não ultrapassam a função de pano de fundo, quando, na verdade, poderiam render análises bem mais profundas caso colocadas nas mãos de um cineasta como Jim Sheridan, por exemplo.

Todavia, mesmo que o aspecto político não seja devidamente explorado, o diretor Oliver Hirschbiegel logra êxito naquilo que talvez tenha sido seu principal e exclusivo objetivo: demonstrar o quão vazia é a vingança. Para tanto, o embate ligeiro entre os antagonistas revela que poucos minutos são suficientes para provar a inutilidade de uma revanche aguardada por toda uma vida.

Desta feita, Rastros de Justiça, apesar de suas limitações, possui o inegável mérito de transmitir a força da mensagem supracitada, o que se deve a uma direção enxuta, que não se rende a emoções baratas, e segura quanto ao talento de seus dois atores principais.


COTAÇÃO: ☼☼☼

 

Ficha Técnica

Título Original: Five Minutes of Heaven
Roteiro: Guy Hibbert
Fotografia: Ruairi O'Brien
Elenco: Andrea Irvine (Sarah)Conor MacNeill (Dave)Richard Dormer (Michael)Gerry Doherty (pai de Joe) Anamaria Marinca (Vika) Liam Neeson (Alistair Little)James Nesbitt (Joe Griffin)
Estreia no Brasil: 19 de Janeiro de 2009
Duração: 90 minutos
Curiosidade: Inspirado em acontecimentos verídicos, o reencontro de Alistair Little com Joe Griffin é apenas uma criação do roteirista Guy Hibbert, já que os dois nunca se encontraram na vida real. Dentro deste contexto, a elaboração do roteiro exigiu que entrevistas separadas fossem realizadas com aqueles homens ao longo de três anos.

Um comentário:

  1. Cara, estou devorando alguns dos seus posts, hehehe. Bem, depois de tanto ler resolvi na orbrigação de comentar algo: parabéns pelo blog. Muito massa mesmo. Estou seguindo.

    Abs.

    ResponderExcluir