EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Cabeça de Mamãe


Velocidade de Cruzeiro

Apatia, antipatia e simpatia são palavras estritamente relacionadas ao filme A Cabeça de Mamãe (França, 2007), afinal, as naturezas respectivamente apática e antipática de mãe e filha – protagonistas da obra – acabam por impedir arroubos de cumplicidade e simpatia do público para com as personagens.
Ok, esta é uma produção feita por e para mulheres, razão pela qual o clube da Luluzinha tende a apreciar com facilidade maior a história da conturbada relação entre a adolescente com um pé na rebeldia e a mãe cujos olhos só enxergam o passado. Contudo, é inegável que algo paira ao longo de todo o longa, qual seja a sensação de que muito pouco faltara para que seu apelo fosse mais universal e seu resultado final mais satisfatório.
Não que este seja um produto irregular, vale frisar, pois, na verdade, o que se percebe é uma velocidade de cruzeiro que tanto evita tropeços de qualidade quanto impede qualquer decolagem.
Neste contexto, A Cabeça de Mamãe carece de autenticidade, dada a nítida intenção da diretora Carine Tardieu em emular Jean-Pierre Jeunet e seu Fabuloso Destino de Amélie Poulain, tarefa essa um tanto quanto complexa, eis que além de não gozar do lirismo e poesia característicos de Jeunet a cineasta acaba agregando ao seu trabalho semelhanças não tão bem vindas com a obra supracitada, bem como com os romances produzidos aos quilos em Hollywood.
Da forma como ficou, A Cabeça de Mamãe rende um mero passatempo, o que é uma pena já que a produção dispunha de plenas condições para ir muito além do escapismo.

COTAÇÃO: ☼☼☼

 

Ficha Técnica

Título Original: La Tête de Maman
Direção: Carine Tardieu
Duração: 95 minutos

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