EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 9 de março de 2011

Mary & Max - Uma Amizade Diferente

Cativantes Porém Marginalizados

 Lançando mão novamente do conceito narrativo abordado no excelente Harvie Krumpet, premiado em 2003 com o Oscar de melhor curta de animação, o diretor Adam Elliot volta a tratar de seres solitários e marginalizados pela sociedade no brilhante Mary & Max - Uma Amizade Diferente (Austrália, 2009).
Neste sentido, assuntos como alcoolismo, homossexualismo, suicídio, cleptomania, preconceito, disfunção psicológica e ausência de enquadramento perante padrões estéticos fornecem o tom para uma história profundamente triste, melancólica e pessimista, porém, ao mesmo tempo, extremamente cativante dado o respeito com o qual as personagens são desenvolvidas.
Longe de buscar o rumo da superação, do drama edificante, o cineasta adota um viés pé-no-chão, preferindo, assim, centrar sua mensagem no fato de que por mais desgraçada que seja a trajetória de uma pessoa não será necessariamente um final supostamente feliz que a fará sentir que valeu a pena viver, mas sim os inusitados eventos e amigos surgidos ao longo da caminhada.
Como colaboração para a acertada forma com que a natureza dos protagonistas é trabalhada, a fotografia assume duas paletas basilares, quais sejam a versão acinzentada, em consonância com a realidade de Max, e a coloração sépia, em conformidade com os anseios de Mary para quem a alegria muitas vezes só é encontrada numa barra de chocolate.
Tocante e sensível, Mary & Max constitui exemplo de filme que despedaça o coração de quem o assiste mas que, simultaneamente, desperta no espectador verdadeira e imediata paixão por figuras que, apesar de aparentemente cinematográficas, são facilmente encontradas mundo afora.

COTAÇÃO – ۞۞۞۞۞

Ficha Técnica
Título Original: Mary and Max
Direção e Roteiro:Adam Elliot
Produção: Melanie Coombs
Elenco: Toni Collette (Mary Daisy Dinkle (voz))Julie Forsyth (voz)John Flaus (voz)Ian 'Molly' Meldrum (Homem sem teto (voz))Philip Seymour Hoffman (Max Jerry Horovitz (voz))Barry Humphries (Narrador (voz)Renée Geyer (Vera (voz))Eric Bana (Damien (voz))Michael Ienna (Lincoln)Bethany Whitmore (Daisy pequena (voz))Kyle Massey (Voz Adicional)
Duração: 92 minutos

5 comentários:

  1. Reconfortante ver alguém citar o Harvey Krumpet, tive a oportunidade de assistir ainda ano passado em um canal argentino.

    Agendei "Mary e Max" pras 15 hs de amanhã na tv a cabo, ler a sinopse e ver partes do filme me fez lembrar do Harvey e seu câncer logo de primeira!

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  2. Eu me emocionei com essa animação, digamos que quase fiquei em estado de depressão ao fim, é linda e comovente mesmo.

    Gostei daqui, sempre que posso passo e leio, já tá linkado ao meu blog e te sigo. Apareça! abs

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  4. Bonita crítica hein Dario... me emocionei aqui, gente, lembrando desse filme, ao ler tua crítica!

    Adorei... parabéns! XD

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  5. Belíssimo texto, assim como o filme. Uma sensibilidade e honestidade que, como você escreveu, fazem de seus personagens imagens de seres reais e totalmente verossímeis.

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