EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Família Vende Tudo

Redenção Desnecessária

O famoso ‘golpe da barriga’ é o mote propulsor de Família Vende Tudo (Brasil, 2011); logo, o tom politicamente incorreto parace, de imediato, ser o ingrediente principal do novo trabalho de Alain Fresnot, expectativa essa que, todavia, se dilui ao longo do filme em razão de um roteiro que não se exime de pontas soltas nem de equívocos, permitindo, assim, que o moralismo se instaure e torne agridoce aquilo que pretendia ser exclusivamente ácido.
Dentro deste contexto, é de se lamentar que boas sacadas não sejam mais bem aproveitadas e que personagens pouco interessantes roubem o espaço de outros bastante curiosos, como é o caso, por exemplo, de alguns dos cínicos membros da família buscapé do título, dentre os quais se inclui o aspirante a pastor Webster – sim, o nome é esse mesmo – cuja oratória é insistentemente preenchida por gerúndios, o que, aliás, serve como dica a respeito da intenção de Fresnot, qual seja lançar um olhar bem humorado sobre vícios e manias corriqueiros de nossa população urbana, o que abrange, vale lembrar, o gosto artístico cada vez mais duvidoso das massas.
Infelizmente, como já dito, tantas boas intenções se perdem em meio a uma trama que opta pela redenção de personagens que, entretanto, não careciam desse tipo de artifício para serem bem aceitos, afinal se há uma coisa que o brasileiro consegue fazer com tranqüilidade é rir de si mesmo!
De qualquer forma, Família Vende Tudo garante até seu término a atenção de quem o assiste, graças, sobretudo, ao talento individual de atores como Lima Duarte e Vera Holtz, responsáveis, desta feita, por evitar que o projeto resulte num completo desastre. Dessa vez foi por pouco...

COTAÇÃO۞۞۞

Ficha Técnica
Direção: Alain Fresnot
Roteiro: Marcus Aurelius Pimenta e Alain Fresnot, baseado em argumento de Alain Fresnot
Produção: Elda Thereza Bettin Coltro, Otelo Bettin Coltro, Carlos Eduardo Rodrigues, David Trejo e Edina Fujii
Elenco: Caco Ciocler, Marisol Ribeiro, Lima Duarte, Verz Holtz, Robson Nunes, Luana Piovani, Imara Reis, Juliana Galdino, Ailton Graça, Beatriz Segall, Marisa Orth, Latino
Música: Arrigo Barnabé
Fotografia: José Roberto Eliezer
Direção de Arte: Alain Fresnot e Fábio Goldfarb
Figurino: Caia Guimarães
Edição: José Carone Jr. e Mariana Fresnot
Duração: 89 min.

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