EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os 3


Dupla Frente de Batalha

Dentre tantas produções já realizadas sobre a história de um triângulo amoroso, Os 3 (Brasil, 2011) se impõe como uma espécie de versão nacional do noventista Três Formas de Amar, (EUA, 1994) dado seu inegável foco no público jovem¹. Neste passo, Nando Olival lança mão de sacadas espertas como meio de atribuir certo ineditismo a trama, daí ser inserido entre as complicações amorosas do trio de protagonistas um enredo sobre a perda de privacidade e de identidade em tempos de reality shows, aspecto esse no qual o diretor logra êxito de em determinados momentos borrar com eficiência a fronteira entre ficção e realidade.
É certo que o longa-metragem poderia ser mais denso em suas duas frentes de batalha (amor/sexualidade e exposição da intimidade), porém, resta nítido que a intenção aqui não fora compor um ‘filme cabeça’, mas sim um programa que de modo inteligente resultasse atraente para uma platéia que transita entre o fim da adolescência e início da vida adulta, tarefa essa, frise-se, cumprida com mérito graças a maneira sincera com que tal faixa etária é retratada².
Por fim, merece ser destacado o trabalho da atriz Juliana Schalch, que com sua beleza e talento, agrega a obra o tom sexy e cool pretendido pelo roteiro; fiquemos de olho nela...
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1.     Dentro deste contexto, Nando Olival presta homenagem ao principal filme já feito sobre o tema, Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois (França, 1961), ao inserir uma rápida cena em tributo àquele, qual seja a disputa de corrida entre os três enamorados.
2.     Daí as rodas de conversa embaladas por sucos e vitaminas – ao estilo Malhação – abrirem espaço para bate papos norteados pela divisão de baseados e garrafas de vodka barata.

COTAÇÃO - ۞۞۞

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Nando Olival
Produção: Nando Olival e Ricardo Della Rosa
Música: Ed Cortês
Fotografia: Ricardo Della Rosa
Direção de Arte: Clô Azevedo
Edição: Daniel Rezende
Duração: 80 min
Curiosidades:
“Apesar de estar pronto desde novembro de 2009, apenas chegou ao circuito comercial em 11 de novembro de 2011”. Neste sentido, embora tenha “sido lançado em circuito antes, Juliana Schalch rodou Tropa de Elite 2 (2010) após o término das filmagens de Os 3” (FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/os-3/noticias-e-curiosidades/).
“Nando Olival é também o diretor de ‘Eduardo e Mônica’, campanha publicitária que fez muita gente acreditar que se tratava na verdade de um longa-metragem (FONTE: http://www.adorocinema.com/colunas/entrevista-os-3-1275/).

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