EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Caminho da Liberdade


Mediano

Caminho da Liberdade (EUA, 2010) constitui mais um dentre os inúmeros casos de filmes que prometem mais do que cumprem, eis que expectativas não faltavam para esta saga de sobrevivência de proporções épicas¹, dirigida pelo celebrado Peter Weir e composta por um elenco de nomes consagrados como Ed Harris, Colin Farrell e Saoirse Ronan.
Tantos elementos favoráveis, entretanto, não impedem a sensação de que, embora correto sob uma ótica panorâmica, o longa-metragem apresenta deficiências difíceis de serem relevadas, senão vejamos:
A princípio, o tom contido e não raro frio com que o drama é abordado não deve ser estranhado, eis que esta é uma característica comum a outras obras de Weir como, por exemplo, O Ano que Vivemos em Perigo (EUA, 1982), O Show de Truman (EUA, 1998) e Mestre dos Mares (EUA, 2003) aspecto esse que, de qualquer forma, torna a narrativa carente de alguns momentos emblemáticos mas estranhamente ‘saltados’².
Ademais, apesar de ao todo serem oito os andarilhos que rumam em busca da liberdade, não há um tratamento igualitário de suas personalidades e aflições, afinal, enquanto para metade dos personagens é dada considerável atenção – em razão das estrelas que os interpretam – outra metade fica relegada a uma função que não pode nem mesmo ser compreendida como coadjuvante, tamanho o descaso para com eles manifestado.
Como outrora dito, não obstante as visíveis falhas de condução apresentadas,  Caminho da Liberdade consegue, por fim, se impor como o típico programa de cotação mediana, o que, convenhamos, constitui um trunfo garantido, sobretudo, pela eficiente direção de fotografia e pelo correto trabalho de Jim Sturgess aqui escalado para liderar um time de atores reunidos em condições climáticas deveras adversas.
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1.     “A trama é inspirada no romance The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom, do polonês Slavomir Rawicz. Nunca se provou a veracidade do relato, um mero detalhe para Weir que tomou a fonte como ponto de partida da narrativa ficcional” (FONTE: Preview. Ed. 19. São Paulo: Sampa, Abril de 2011. p. 45.
2. Daí porque soa estranho a forma abrupta como a fuga do gulag é encenada. Neste sentido, uma vez desinteressado na ação e no suspense inerentes a escapada da prisão, Weir abre mão da tensão concernente a um aspecto crucial da trama.

 COTAÇÃO۞۞۞

Ficha Técnica
Título Original: The Way Back
Direção: Peter Weir
Roteiro: Keith R. Clarke, Peter Weir, baseado em livro de Slavomir Rawicz
Elenco: Anton Trendafilov (Steam Man)Dragos Bucur (Zoran)Saoirse Ronan (Irena)Jim Sturgess (Janusz)Ed Harris (Mr. Smith)Gustaf Skarsgård (Voss)Mark Strong (Khabarov)Alexandru Potocean (Tomasz)Stanislav Pishtalov (Commandant)Sebastian Urzendowsky (Kazik) Irinei Konstantinov (Janusz - 1989) Meglena Karalambova (Janusz's Wife - 1989) Sally Edwards (Janusz's Wife - 1939)Colin Farrell (Valka)
Música: Burkhard von Dallwitz
Fotografia: Russell Boyd
Direção de Arte: Kes Bonnet
Figurino: Wendy Stites
Edição: Lee Smith
Estreia no Brasil: 13 de Maio de 2011
Duração: 133 min.

Um comentário:

  1. Realmente esperava mais do filme, esperava mais até mesmo de Jim Sturgess, que é o meu favorito dentre os oito.
    =1

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