EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 17 de maio de 2012

50%

             Pérola a Ser Conhecida

             Há uma piada em 50% (EUA, 2011) que sintetiza a essência dessa dramédia, qual seja o momento em que Kyle (Seth Rogen) tenta animar o amigo que teve um câncer diagnosticado explicando que atualmente essa não é mais uma doença tão difícil de ser vencida, afinal, com frequência ficamos sabendo de celebridades como Patrick Swayze (??!!) que pularam tal fogueira com sucesso.
            Partindo, portanto, de um humor politicamente incorreto e de uma linguagem assumidamente pop (a citação a Laços de Ternura é simplesmente impagável), 50% se revela como um libelo a amizade que em última instância denota uma variação cheia de frescor para uma história já muito contada.
            Espirituosa, a obra de Jonathan Levine não só faz rir – seja de modo inteligente seja de forma chula – como também sensibiliza nos momentos mais dramáticos da trajetória de seu protagonista, escapando, desta feita, da armadilha da inverossimilhança que muitos filmes envolvendo pacientes com risco de morte – mas estranhamente serenos e conformados – acabam caindo.
            Não fosse o bastante a forma bem humorada, porém, ao mesmo tempo madura com que o roteiro¹ é manejado, o longa-metragem ainda conta com um elenco muito bem entrosado – aspecto esse em que se destaca Bryce Dallas Howard no auge de sua beleza – além de uma trilha musical, selecionada a dedo, que inclui canções de bandas como Radiohead e Pearl Jam – cuja belíssima Yellow Ledbetter encerra de maneira tocante a produção.
            Eis uma pérola a ser conhecida e divulgada.
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1. “O roteirista Will Reiser tinha 24 anos quando foi diagnosticado com um tipo raro de câncer e descobriu fazer parte de uma estatística de 50% de chance de sobrevivência – daí o título. O ator Seth Rogen, seu melhor amigo, acompanhou cada etapa da batalha e o fato de este filme existir é mais que bom sinal” (FONTE: ITIBERÊ, Suzana Uchôa. PREVIEW. Ed. 28. São Paulo: Sampa, Janeiro de 2012. p. 66).

 COTAÇÃO: ۞۞۞۞







Ficha Técnica
Título Original: 50/50
Direção: Jonathan Levine                  Roteiro: Will Reiser
Produção:Ben Karlin, Evan Goldberg, Seth Rogen
Elenco:Daniel Bacon (I) (Dr. Phillips)Joseph Gordon-Levitt (Adam) Matty Finochio (Ted)Philip Baker Hall (Alan)Seth Rogen (Kyle)Veena Sood (Nurse Stewart)Anjelica Huston (Diane) Darla Fay (Nurse Joanne)Marie Avgeropoulos (Allison)Bryce Dallas Howard (Rachael)Yee Jee Tso (Dr. Lee)Jessica Parker Kennedy (Jackie)Sarah Smyth (Jenny)Geoff Gustafson (Jeremy) Luisa D'Oliveira (Agabelle Loogenburgen)Andrew Airlie (Dr. Ross) Sugar Lyn Beard (Susan)Serge Houde (Richard)Anna Kendrick (Katie) William 'Big Sleeps' Stewart (George)Kyle Hunter (Will)
Estreia Mundial: 30.09.2011                Duração: 100 min.

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