EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 23 de maio de 2012

Plano de Fuga

                     Fast Food

              Ser comumente comparado ao ótimo O Troco (EUA, 1999) é um indicativo de peso sobre as pretensões de Plano de Fuga (EUA, 2011). Estética suja, fotografia saturada (como forma de exaltar o calor mexicano), humor negro e violência a rodo são os ingredientes desta aventura que concilia o cinismo das últimas décadas com a faceta despudorada e nada careta de produções oitentistas estreladas pelos astros brucutus de então.
             É de se lamentar, portanto, que em terreno americano Mel Gibson não goze mais de privilégio suficiente para sozinho garantir o sucesso comercial de um filme; afinal, graças a influência dos deslizes cometidos pelo ator em sua vida pessoal, Plano de Fuga não fora sequer lançado nas salas de projeção yankees, o que, vale frisar, em nada assemelha a qualidade deste título com a de outros também arremessados diretamente no mercado de home-video e protagonizados por celebridades de outrora do cinema de ação como Steven Seagal e Jean-Claude Van Damme.
             Diferentemente desses ‘artistas’, Mel Gibson possui uma dose superior de talento a disposição seja do drama - conforme atestam as obras por ele dirigidas, bem como seu desempenho em Um Novo Despertar (EUA, 2011) - seja da comédia - basta lembrar os momentos divididos com Danny Glover e Joe Pesci na franquia Máquina Mortífera -, seja da aventura - não a toa Mad Max (Austrália, 1979) catapultou-o ao sucesso -, daí porque o carisma do ator não permite que sua participação neste novo trabalho seja eclipsada pelas boas cenas de perseguição e tiroteio arquitetadas pelo diretor Adrian Grunberg.
             Por certo, Plano de Fuga não mudará a vida de ninguém, podendo até, talvez, ser facilmente esquecido por quem o assistir, mas, ainda assim, em seus noventa minutos de duração a diversão restará garantida a quem não quiser se debruçar, por exemplo, sobre problemas como o olhar preconceituoso do norte-americano sobre seu vizinho mexicano. Taí um caso em que cérebro e estômago pedem para ser desconectados em proveito de uma autêntica fast food.                                                                               
Ficha Técnica                                                                                               
Título Original: Get the Gringo
Direção:Adrian Grunberg                 Produção:Bruce Davey, Stacy Perskie
Roteiro:Adrian Grunberg, Mel Gibson, Stacy Perskie
Elenco:Mel Gibson, Roberto Sosa (Carnal)Fernando Becerril (Prison Director) Tenoch Huerta (Carlos) Dean Norris (Bill)Bob Gunton (Mr. Kaufmann)Dolores Heredia (The Kid's Mom)Tom Schanley (Gregor)Jesús Ochoa (Caracas) Daniel Giménez Cacho (Javi) Peter Stormare (Frank)
País de Origem: Estados Unidos da América
Estreia no Brasil: 18.05.2012           Estreia Mundial: 26.08.2011
Duração: 95 min.

Um comentário:

  1. Excelente diversão, com Mel Gibson em ótima forma física e cômica.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir