EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 9 de abril de 2013

Os Croods



De Olho no Futuro

Tendo em vista que se trata de uma comédia de costumes sobre as vicissitudes de uma família e de seus membros, não é possível dizer que os roteiristas de Os Croods (EUA, 2013) foram responsáveis por inventar a roda; todavia, no que tange sua posição dentro de um formato já explorado por diversos gêneros cinematográficos, a animação se sai muitíssimo bem por, ora vejam, driblar determinadas convenções do segmento infantil.

 Dito isso, a peculiaridade que mais positivamente salta aos olhos é a ausência de um arqui-inimigo. A vilã, neste caso, se é que pode assim ser chamada, é a natureza e suas intempéries, de forma que a luta aqui se dá tão somente pela sobrevivência e não em defesa ou confronto de alguma causa nobre ou escusa. Com efeito, graças a essa benéfica falta de um vilão sobra espaço para a produção explorar o medo de certos integrantes do clã frente as mudanças do mundo e o choque geracional daí surgido.
Embora apresente uma narrativa ágil e envolvente, o filme, lamentavelmente, peca ao não conseguir tratar com igualdade seu restrito número de personagens - apenas a hilária matriarca da família, dentre as figuras coadjuvantes recebe o destaque merecido -, deficiência essa que, claro, pode ser facilmente sanada numa eventual continuação, a qual, aliás, em muito ganhará se investir menos na ação e mais no humor oriundo da convivência entre os familiares. Neste sentido, um tom mais anárquico, quem sabe ao modo Família Dinossauros, será muito útil para a sequência, afinal, daqui a alguns anos as crianças de hoje, mais velhas, estarão ávidas por novas linguagens tal qual o casal de protagonistas desta primeira parte. É preciso olhar desde já para o futuro, assim como os Croods foram instados a fazer.

Ficha Técnica

Título Original: The Croods
Direção e Roteiro: Kirk De Micco, Chris Sanders
Produção: Kristine Belson, Jane Hartwell
Música: Alan Silvestri                                       Fotografia: Yong Duk Jhun
Estreia: 22.03.2013                                          Duração: 99 min.

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