EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 28 de dezembro de 2013

Melhores de 2013



A diversidade geográfica foi a marca de 2013, visto que entre os dez melhores do ano a França é representada com três títulos, enquanto os Estados Unidos com dois e Brasil, México, Itália, Chile e Portugal com um cada. Dito isso, passemos então aquilo que de melhor fora exibido no circuito comercial/alternativo de Belém durante esses últimos doze meses. Em 2014 tem mais!

1.   No
Filme político dos bons como há muito não se via, No é uma aula de cinema e de publicidade.

2.   Amor
Amargo, duro e profundamente coerente, Amor se consagrou como a obra mais laureada da carreira de Michael Haneké, afinal, dentre tantos prêmios amealhados, a produção conquistou a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

3.   Elena
Elena é a mais bela tentativa de exorcismo de uma dor já vista no cinema. Não a toa, o documentário provoca angústia mas também uma grande quantidade de encanto.

4.   Django Livre
Django Livre é a típica obra de Quentin Tarantino: metalinguística, violenta, pop, cômica, verborrágica... Ao lado de El Topo, Django.. se firma como um dos faroestes mais atípicos já produzidos pelo cinema.

5.   Ferrugem e Osso
Assuntos díspares como deficiência física, negligência paterna e lutas clandestinas são o recheio de uma história de amor das mais estranhas e verossímeis.

6.   Depois de Lúcia
Depois de Lúcia pode por vezes soar exagerado mas não se engane, o homem é capaz de ser tão ou mais vil quanto o mostrado nessa produção mexicana que traz em seu bojo uma oportuna discussão sobre bullying e os limites da exposição própria em tempos tão tecnológicos e virtuais como os de hoje.

7.   Depois de Maio
Depois de Maio retrata a França do icônico ano de 1968e ainda encontra espaço para ser também uma homenagem ao cinema sem perder a coesão nem a objetividade.

8.   Frances Ha
Na superfície Frances Ha é aparentemente um filme apenas bobo, engraçadinho; porém, o mergulho nem precisa ser muito profundo para rápido serem percebidas as várias camadas logo abaixo escondidas. Por certo, a surpresa mais saborosa do ano.

9.   Tabu
Livremente inspirado no filme homônimo que F.W. Murnau dirigiu em 1931, Tabu, de Miguel Gomes, exemplifica o que ocorre quando a elegância se transforma em originalidade.

10.         César Deve Morrer
Os irmãos Tavianni extraem performances únicas de atores não profissionais, para contar,numa linguagem que flerta com o documentário, a jornada de Bruto e Júlio César. Fascinante.

12. Gravidade
13. Amor Pleno
14. O Mestre
15. Era Uma Vez Eu, Verônica
16.  O Voo
17. A Vida Secreta de Walter Mitty

Melhor Documentário: Elena
Melhor Direção: Alfonso Cuarón (Gravidade)
Melhor Ator: Fabrice Luchini (Pedalando com Molière)
Melhor Ator Coadjuvante: Wagner Moura (Serra Pelada) e Samuel L. Jackson (Django Livre)
Melhor Atriz: Emanuelle Riva (Amor)
Melhor Atriz Coadjuvante: Sophie Charlotte (Serra Pelada)
Melhores Efeitos Especiais: Gravidade
Melhor Fotografia: Tabu
Melhor Trilha Sonora: A Vida Secreta de Walter Mitty
Melhor Montagem: Elena
Melhor Direção de Arte: Anna Karenina
Melhor Figurino: O Grande Gatsby
Roteiro Original: Django Livre
Roteiro Adaptado: Ferrugem e Osso
Melhor Animação: Os Croods

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