EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lucy



Prequel

Há tempos Luc Besson não filmava com presteza como o faz em Lucy (EUA/França, 2014). Neste sentido, a trajetória de sua protagonista até o momento em que começa a sofrer os efeitos de uma droga nela inserida é contada com um vigor estético semelhante aos bons tempos de O Profissional (EUA/França, 1994). Para tanto, o cineasta se vale de planos extremamente bem decupados e de uma edição inteligente na medida em que intercala as sequências da ficção com cenas de teor documental. À exímia condução do francês no que tange a violência a qual Lucy é submetida e o início da caçada por ela deflagrada soma-se o carisma de Scarlett Johansson que aproveita a experiência adquirida com os filmes da Marvel para ficar deveras a vontade na pele da “Nikita do século 21”.
Tais fatores, aliás, são de tal eficiência que, na medida do possível, deixam o espectador tolerante face os abusos do roteiro e a prejudicial semelhança das ideias e exageros de Besson ante as tramas dos muito recentes Sem Limites (EUA, 2011) e Transcendence (EUA, 2014). Dentro deste contexto, os absurdos mostrados na tela inegavelmente incomodam e prejudicam o todo, mas, até isso acontecer o público já fora fisgado, como dito, pela garra da atriz e pela alegria de rever Besson em boa forma. Se, porém, nada disso for suficiente para tornar aceitáveis os excessos do longa-metragem, uma derradeira alternativa sobra para melhor aproveitar-se a sessão: encarar a obra como um prequel de Ela (EUA, 2013).
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1.  ITIBERÊ, Suzana Uchôa. Revista Preview. Ano 6. ed. 59. São Paulo: Sampa, Agosto de 2014. p. 61.

FICHA TÉCNICA

Direção e Roteiro: Luc Besson
Produção: Virginie Silla
Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Analeigh Tipton, Amr Waked, Min-sik Choi, Pilou Asbæk, Mason Lee, Claire Tran, Frédéric Chau
Duração: 89 min.

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