EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 6 de dezembro de 2015

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final



Final Decepcionante


“Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), a guerreira adolescente que subverteu a ordem [...] chegou a sua última batalha. É hora de atacar a Capital, derrubar o Presidente Snow (Donald Sutherland), acabar com todas as injustiças, vingar todos os jovens mortos eo longo dos 75 anos de Jogos Vorazes e fazer os campeões esquecerem que, para vencer, eles também tiveram de se tornar assassinos”¹.

A empolgante descrição acima resume tudo aquilo que Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (EUA, 2015) havia de mostrar. É uma pena, porém, que tamanha expectativa positiva – aumentada em muito pelo espetacular capítulo anterior – tenha sido frustrada pela entrega de uma obra que interrompe o ritmo ascendente de qualidade da franquia, revelando-se, desta feita, aquém de tudo o que fora antes realizado.
Neste sentido, o longa-metragem padece da síndrome da conclusão chinfrim que volta e meia assola, por exemplo, trilogias como Matrix e Mad Max, patinando assim em equívocos inacreditáveis como a transformação de sua instigante heroína em uma personagem totalmente desinteressante, a despeito do talento da atriz que a interpreta.

 Jogos Vorazes: A Esperança – O Final, aliás, é um trabalho de algumas poucas e isoladas sequências boas de ação que não encontram semelhante padrão no restante do filme, problema esse que deságua na manutenção de um ritmo deveras vagaroso que se funcionou muitíssimo bem no volume antecedente aqui incomoda dada a maneira anticlimática com que grandes problemáticas são resolvidas.
Dentro deste contexto, a produção até tenta refletir sobre questões interessantes como a rotineira forma com que ditaduras são derrubadas e substituídas por outros governantes de semelhantes intenções que antes fingiam ter motivos nobres, o que inclui questionamentos éticos sobre guerra e política que o blockbuster suscita mas reluta em se aprofundar, preferindo, em contrapartida, conclusões rápidas e um tanto decepcionantes, além de diálogos que forçosamente tentam, em vão, ser marcantes.
Por certo, a finalização da saga de Katniss Everdeen resultaria mais proveitosa e memorável caso feita ainda em Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (EUA, 2014) que, por seu turno, poderia ser acrescido de outros 30 a 60 minutos para tanto. A atual tática de extensão e divisão da conclusão de franquias cinematográficas em duas partes, além de denotar uma sanha exacerbada pelo lucro, não raro se mostra um tiro no pé como nesse caso ocorrera, haja vista que nítido resta o quão desnecessário fora se valer de novos cento e trinta e sete minutos para uma conclusão que poderia ser feita de maneira bem mais enxuta, concisa e eficiente.  
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1.     FORTUNATO, Ederli in Revista Preview. Ano 7. ed. 74. São Paulo: Sampa, Novembro de 2015.  p. 21.

Ficha Técnica

Título Original: The Hunger Games: Mockingjay - Part 2
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Danny Strong, Peter Craig
Elenco: Jennifer Lawrence, Donald Sutherland, Stanley Tucci, Julianne Moore, Gwendoline Christie, Elden Henson, Elizabeth Banks, Evan Ross, Jeffrey Wright, Jena Malone, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Mahershala Ali, Meta Golding, Michelle Forbes, Natalie Dormer, Omid Abtahi, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Robert Knepper, Sam Claflin, Stef Dawson, Stephanie Tyler Jones, Toby Jones, Wes Chatham, Willow Shields, Woody Harrelson
Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia: Jo Willems
Montagem: Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa
Trilha Sonora: James Newton Howard
Estreia Brasil: 19.11.15
Duração: 137 min.

2 comentários:

  1. Acontece que o livro é um pouco monótono, e eles realizaram uma ótima adaptação. É um filme um pouco chato e cansativo, mas apenas por seguir piamente o livro.

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