EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 16 de junho de 2016

La Vanité



Longa Diferença


La Vanité (Suíça/França, 2015) representa tudo aquilo que Uma Longa Queda (Alemanha/Reino Unido, 2014) – adaptação do livro homônimo de Nick Hornby – deveria ser. Em ambas as obras o que se vê são as tentativas frustradas de pessoas abrirem mão de suas vidas seja pela eutanásia seja pelo suicídio. O longa-metragem franco-suíço, neste passo, é dotado de uma fina ironia tal qual o texto de Hornby; sarcástico, o filme faz piada com a morte do início ao fim e quando percebe que pode resvalar em moralismo trata de encerrar seus trabalhos, o que agrega força a uma de suas grandes qualidades: a coesão. Focada num trio de personagens, interpretados por atores em perfeita sintonia, a produção não perde tempo com gorduras desnecessárias, como ocorre na adaptação cinematográfica de Uma Longa Queda que acaba cedendo ao sentimentalismo como ferramenta de união entre as histórias de vida de um núcleo maior de personagens.

Embora melancólico, o livro de Hornby é, como dito, irônico, um tanto cínico até, qualidade, infelizmente ausente em sua versão fílmica, mas presente em La Vanité que ainda flerta com Alfred Hitchcock em clara referência a Psicose (EUA, 1960), transitando, desta feita, entre o drama, a comédia e o suspense sem dificuldade. Talvez seu término um tanto ligeiro possa incomodar alguns, sensação que há de ser minimizada se lembrado for que seja qual for o modo, a morte será a conclusão inescapável de todos. Entrar em pormenores desse tipo tornaria o filme menos enxuto, resultado que La Vanité evita a todo custo e que Hornby provavelmente aprovaria.
 
FICHA TÉCNICA
Direção:Lionel Baier
Roteiro: Lionel Baier, Julien Bouissoux
Elenco: Patrick Lapp, Carmen Maura, Ivan Georgiev, Adrien Barrazone
Produção: Estelle Fialon, Frédéric Mermoud, Agnieszka Ramu 
Fotografia: Patrick Lindenmaier
Duração: 75 min.
Estreia: 18/05/2015 
Estreia Brasil: 14/07/2016


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